Possibilidades da Fotografia Contemporânea

Já está no ar o e-book Possibilidades da Fotografia Contemporânea: Mezanino e Portfólio.

A obra  resgata e reflete sobre a história de dois programas do Itaú Cultural, o Projeto Mezanino de Fotografia e o Portfólio, ambos dedicados a revelar novos artistas que atuam no âmbito da fotografia contemporânea brasileira e também a produção literária de jovens escritores nacionais.

O material traz obras de todos os fotógrafos participantes, além dos textos literários, de entrevistas e de reflexões.

Llamado para la publicación de artículos de investigación

Foto: Publicação lançada pelo CMDF/Divulgação

Há um tempo atrás falamos aqui, no Fórum Virtual, sobre o a convocatória para publicação de livros de autor do CMDF Uruguai.  Agora vem um segundo edital, da mesma instituição, que beneficia um outro “braço” muito importante da fotografia, as pesquisas teóricas.

Desde 2008 é lançado um livro por ano com artigos de investigação para autores uruguaios e para candidatos de outros países latino-americanos.

Os dois editais estarão abertos entre 18 e 23 de outubro e todas as informações para inscrição de projetos estão aqui para todos os hermanos e aqui para os uruguaios.

O resultado será anunciado dia 8 de dezembro e a publicação será lançada em 2011.

Um álbum de família nunca se esgota

Resíduo, esforço de conservação da memória… Para muitos, espaço vazio de intimidade no qual recriamos a ficção da ficção. Traço seria um bom sinônimo para a manifestação da nossa lembrança que circula diante das fotografias. No entanto, é também referência indelével da história familiar de cada pessoa.

Os álbuns de família extrapolam suas páginas. O afeto, parte profunda de sua existência, divide amplo espectro de objetivos, intenções, processos técnicos, papéis sociais, relações de identidade, entre outros vetores de reflexão. Um álbum, quase sempre configurado de maneira coletiva pelo núcleo familiar, estabelece aos olhos de pesquisadores fonte de análises e compreensões a respeito de representação, do comércio fotográfico, dos nós implícitos sobre a memória e do tempo latente nas fotografias.

Considerar as imagens dos álbuns de família enquanto documento social é a premissa que recobre os laços de parentesco, rituais sociais e o testemunho das performances de nós mesmos.

O livro Álbum de família: a imagem de nós mesmos, do pesquisador colombiano Armando Silva, revela o rigor sociológico ao esmiuçar tal material iconográfico. O texto, originalmente publicado na Colômbia (em 1998), e editado no Brasil pela Editora Senac (2008) é fruto da tese de doutorado do autor sobre aspectos sociais das fotografias de famílias colombianas. Apesar de se tratar de uma pesquisa acadêmica, o texto é leve e objetivo. Discorre as etapas da descamação quantitativa e qualitativa das características visíveis e invisíveis nas fotografias pesquisadas.

A minúcia de Armando Silva é perceptível pela organização dos gráficos. Mas, a riqueza do trabalho está em investigar elementos como fetichização, teatralização e o estatuto da comédia na construção desse universo imagético.

Assim, habilmente, o autor aborda desde questões mais atuais quando discute o imaginário do álbum digital até discussões mais subjetivas quando diz que o álbum “recolhe impressões e faz do clichê seu hábito”. De acordo com Silva, “o que continua sendo emocionante nele é justamente esse dom de ingenuidade e de descuido com que ele é construído”. Ler sobre álbuns alheios, não deixa de ser um exercício de auto-análise e de certeza que eles são necessários para a vida.

Foto do álbum da família Álvarez, Medelín, c.1950

1968

Leonor Gólez, Bogotá, 1938

Llamado para la publicación del libro de autor

Foto: Publicação lançada pelo CMDF/Divulgação

O CMDF – Centro Municipal de Fotografía do Uruguai é prato cheio tanto para quem gosta de expor quanto para os que curtem exposições de fotografia. Sendo assim, a instituição realiza, desde 2004, editais para artistas que desejam mostrar seu trabalho nas várias salas e galerias disponíveis.

E, como se tudo isso fosse pouco, o CMDF ainda faz mais! No intuito glorioso de ampliar a difusão dos trabalhos de autor, incentivar a produção fotográfica e promover a realização de livros (à “moda antiga” mesmo, com papel, cheirinho e capa dura), foi criado em 2007 o edital para publicação editorial.

São duas chamadas diferentes que ficam abertas entre 18 e 23 de outubro: uma para artistas da América Latina e outra restrita a uruguaios. Os projetos selecionados serão publicados em 2011 e o edital completo pode ser lido aqui para latino-americanos e aqui para residentes no Uruguai.

Aqui, leia resenha sobre o livro Mar del Plata de Ataúlfo Pérez Aznar.

Foto: Publicação lançada pelo CMDF/Divulgação

Canto a la realidad

 

Anne Marie Heinrich. Harold Krentzberg. Argentina, 1947

 

Em 1981, mesmo ano em que se realizou no México o II Colóquio Latinoamericano de Fotografia, a Kunsthaus de Zurique reuniu trabalhos de uma centena de autores na exposição “Fotografia Latinoamericana: de 1860 até hoje”, com pesquisa e curadoria de Erika Billeter. Foi um dos primeiros esforços de mapear a produção do continente realizada na Europa. Em 1993, o catálogo ganhou uma edição ampliada, em língua espanhola: “Canto à realidade: fotografia latinoamericana, 1860-1993.

A apresentação de Billeter se esforça para evitar o gesto histórico de construir uma cena exótica para o olhar estrangeiro, afirmando se tratar de uma obra feita também para a America Latina. A qualidade do material reunido é inquestionável, mas a apresentação feita pela pesquisadora merece críticas. Segundo sugere, a produção documental mostrada não decorre apenas de um recorte curatorial, mas daquilo mesmo que está disponível na história da fotografia latinoamericana. Daí algumas falas problemáticas:

El fotografo latinoamericano no experimenta, sino que “vê”. Su fotografia es el fruto de una inconfundible disposición dirigida a lo verdadero, que se relaciona com un talento nato hacia a lo estético” [p.13]. “La fotografia experimental es un propósito recurrente en la historia de la fotografía europea y norteamericana. En los países latinoamericano su presencia es irrelevante [p.30].

Billeter se esforça para conciliar essas afirmações com uma produção experimental já bastante evidente, sobretudo no momento da 2a edição: os trabalhos que escolhe para acrescentar ao novo volume se afastam do rigor documental, mas ainda sugerem a preocupação com uma suposta realidade latinoamericana. A seu favor, cabe dizer que esse é um recorte que curadorias locais também privilegiaram nessa época, por questões de comprometimento político e social.

Mesmo que possamos discutir sua abordagem, o livro permanece importante por vários motivos. É uma oportunidade rara de ver reunidos trabalhos que são efetivamente significativos, com uma ótima qualidade de impressão. O livro também não deixa de ser representativo de um discurso sobre a America Latina que também faz parte de nossa história.

Canto à realidade: fotografia latinoamericana, 1860-1993 – Erika Billeter. Barcelona: Lunwerg Editores, 1993.

Todas as edições do livro estão esgotadas, mas ainda é possível encontrá-lo em lojas e sites de livros usados.

Lola Álvarez. Julia López. Mexico, 1950
Luis González Palma, Retrato de niño. Guatemala, 1991

 

 

Martin Chambi. Organistaen la capilla de Tinta Canchis, 1835

 

Raúl Corrales. El sueño. Cuba, 1959

 

Roberto Huarcaya. Sara Orellana Rodríguez, Lima, Peru, 1991

 

Rogerio Reis, Carnaval de Río, Brasil, 1990

Ramón Reverté

Foto: Isabel Garcés

Entrevista com Ramón Reverté realizada por Andrea Jösch (Sueño de la Razón)

Ramon nace en Barcelona el año 1965 y es el responsable en México de Editorial Reverté, empresa española con más de 60 años dedicada a publicar obras de Ciencia e Ingeniería de nivel universitario. Toda su vida la ha dedicado al mundo editorial, especializándose en el área de producción y edición de libros. Su formación la realizó en Barcelona con especial énfasis en procesos de impresión y diseño editorial.

Ha vivido en Argentina, Chile y Estados Unidos de Norteamérica. Desde 1998 reside en México. En 1999 funda con su hermano Javier EDITORIAL RM, empresa mexicana que pública libros relacionados con la cultura visual especialmente en el área de fotolibros. En 2004 crea en Barcelona, junto con su hermano, RM Verlag. Desde la plataforma RM ha editado más de 150 libros que se distribuyen en todo el mundo

Andrea JöschRamon, iniciando nuestra entrevista, vía correo electrónico, lo primero que me gustaría preguntar es cómo se conforma el mercado editorial Latinoamericano, específicamente lo relacionado con el Foto Libro. Y en ese mismo sentido, cuales Fotolibros son, a tu parecer, referenciales para hablar de una producción de obra fotográfica en latinoamericana.

Ramón Reverté – En América Latina existe es un volumen interesante de fotolibros publicados por los propios autores y, en ocasiones, con los más dispares editores. Lo que no hay son editores dedicados principalmente al fotolibro, tal como sucede en otros países. Por citar algunos, Steidl en Alemania, Chris Boot en Inglaterra, Rathole en Japón, o Nazraeli Press en Estados Unidos

Hay una gran confusión entre lo que es un fotolibro y un libro de fotos y muchos editores caen directamente en la segunda categoría.

Los editores que publican regularmente fotolibros en América Latina, dentro de una línea editorial más amplia son Cosac Naify en Brasil, RM en México y en menor medida Lariviere y La Marca en Argentina. En Chile Origo está iniciando una línea.

La producción de fotolibros en América Latina es muy propositiva en cuanto a diseño y temas y, por estos mismos motivos, se diferencia de la producción en otros países. Está el caso de Venezuela donde encontramos los diseños más innovadores. En cuanto a temas totalmente inherentes a América Latina, encontramos fotolibros donde participan grandes fotógrafos y escritores sobre temas muy Latinoamericanos. Además hay temas propios del continente con muy buenos ejemplos de fotolibros como son libros sobre los indígenas americanos.

Andrea JöschLuis Weinstein entrevistó a Horacio Fernández para la revista de fotografía sudamericana Sueño de la Razón de Julio, en donde Fernandez afirma que un foto libro es más que un libro de fotos, nos podrías responder cuáles serían esas diferencias, como es la relación del autor con el editor o curador?

Ramón Reverté – No he leído la entrevista con Lucho y Horacio pero así es, un fotolibro es la suma de fotografías, puesta en página, tipografía, materiales y encuadernación. Todos estos factores suman y nos podemos encontrar con magníficos fotolibros con fotos regulares. Lo cual parece un contrasentido pero no lo es. El papel del diseñador es tan fundamental en ocasiones, como el del fotógrafo.

La relación del autor con el editor depende en gran medida del editor. Desde mi punto de vista, es el editor quien debe tener la sensibilidad para conceptualizar un libro o, si el fotógrafo ya trae una propuesta, saber ver las virtudes y defectos y modificarlo. Además, por la experiencia que tiene el editor, ha de recomendar los materiales a usar, el tiro y el rango de precios al cual se ha de vender el libro. Todos estos factores, sumados a la distribución, hacen que un libro pueda, o no, venderse y tener resonancia.

En general, en América Latina, los editores no suelen tener una educación visual importante. Ello es debido a que la oferta de libros en cualquier país de América es pobre y difícilmente veremos libros editados en otras latitudes. El editor de fotolibros ha de estar obsesionado con el tema, tener una buena biblioteca y acceso a lo que se está publicando a nivel mundial y más en este momento, donde el fenómeno fotolibros, después de los dos tomos de Martin Parr, ha generado un boom sin precedentes.

Andrea JöschComo a cambiado el panorama de los autores latinoamericanos en las últimas décadas, luego de periodos extensos de crisis políticas, dictaduras militares, etc.? Es la fotografía latinoamericana por esencia documentalista?

Ramón Reverté – En cuanto a la producción de libros no ha cambiado demasiado. Lo que sí ha cambiado es la temática de los libros y el conocimiento mayor de lo que es un fotolibro. Esto ha hecho que los libros de ahora sean más bien manufacturados, temáticos pero, a la vez, que hayan perdido la frescura que tenían los libros antes.

El género fotográfico “impreso” por esencia en Latinoamérica es, ciertamente, el documentalista. Y, claramente, se refleja en los libros publicados. Es natural, es un género entendible por todo el mundo y, dado que en América Latina no hay un público amplio que compre fotolibros, los editores acaban publicando libros de imágenes que tocan hechos políticos o paisajísticos. Es un lenguaje local pero universal.

Andrea JöschMencionas que no existe público amplio que compre fotolibros, cuales crees que serian las formas para educar y ampliar lectores interesados y entendidos; crees que pasa por la visibilidad de los propios autores en los circuitos del arte contemporáneo o la editoriabilidad de los fotolibros es un segmento ajeno a ello?

Ramón Reverté – Supongo que en general en América Latina falta la cultura de comprar libros y si, además estos libros son relativamente caros, es más difícil todavía que se genere este interés.

Definitivamente, si hubiera más exposiciones habría más posibilidades de dar salida a estas publicaciones. Pero es un círculo vicioso: no hay más exposiciones en galerías privadas porque la fotografía no se vende. Por lo mismo tampoco se publican libros. En Japón, por ejemplo, la fotografía no vende salvo nombres muy reconocidos como Daido Moriyama, Eiko Hosoe, Araki, Keizo Kitajima, etc. y sin embargo es el país que publica más fotolibros del mundo (500 títulos al año de acuerdo con estimaciones de Martin Parr). Todo un misterio. ¿Cómo es posible que apenas haya galerías de fotografía y se venda tanto fotolibro?

En todo caso, creo que la manera de que haya un público más interesado en América Latina debería ser que hubiera una política de estado que apoyara la fotografía con escuelas, exposiciones, libros y difusión en medios.

Andrea JöschNos podrías comentar sobre la convocatoria que tiene RM Editores para la realización de Fotolibros?

Ramón Reverté – RM publica fotolibros de fotógrafos reconocidos (Jeff Wall, Daido Moriyama, Paolo Gasparini, Manuel Álvarez Bravo, Graciela Iturbide, etc…) que financia la editorial y trabajos de fotógrafos jóvenes, sin todavía reconocimiento, que vienen patrocinados por algún museo, entidad o el mismo interesado.

Nuestro proceso de selección es muy estricto y solo publicamos los trabajos que pensamos son relevantes. Es importante mencionar que RM publica en castellano e inglés y distribuye en todo el mundo. El coste de la distribución es tan alto que no nos podemos permitir publicar libros que no tengan un alto contenido, que es lo que nos garantiza tener buena prensa y por tanto justificar el esfuerzo.

Los tirajes que hacemos van desde 1,000 a 3,000 ejemplares.

Andrea JöschY en especifico la convocatoria a concurso de RM en cuanto a cantidad y calidad de participantes?

Ramón Reverté – Participaron unos 160 fotógrafos. En general el nivel de los trabajos es bajo pero hay unos 15 trabajos que perfectamente se podrán publicar. El jurado decidirá

Andrea JöschUna pregunta desde mi condición de chilena que se me quedo en el tintero. Tengo entendido que has vivido en Chile y que además tienes una larga amistad con personas vinculadas a la editorial chilena desde hace décadas, por tu padre. Cuáles son los libros de fotografía chilena que consideras más relevantes. Qué opinión tienes de las publicaciones realizadas durante la dictadura militar como Manuscrito, VISUAL, Ediciones Económicas de Fotografía Chilena, etc.

Ramón Reverté – Así es, viví en Chile entre 1984 y 1985. Fue una época durísima pero también interesantísima. Trabajé en el taller de impresión de Editorial Antártica. A raíz de la amistad que mi abuelo, don Pedro Reverté inició con don Hernán Aguirre, pude trabajar en Chile y conocer el mundo editorial de Chile. De ese período, lo que más me gusta seguramente son las “Ediciones Económicas” que mencionas. Me parece que son muy originales en el contexto latinoamericano y totalmente coherente con el momento y la propuesta. Más allá de esto, los trabajos editoriales que más me llaman la atención son los de Sergio Larrain, Paz Errázuriz y Carlos Leppe.

Revoluções

A coletânea de artigos Revoluções (São Paulo: Boitempo, 2009), organizada por Michael Löwy, parte de um vasto conjunto de fotografias para pensar a história de algumas das mais importantes as convulsões políticas do Século XX. Essa obra nos interessa por vários motivos: pelas centenas de imagens que reúne, também pelo método que permite à imagem ter seu próprio espaço numa pesquisa histórica, e pelas revoluções que aborda, dentre elas, a Guerra Civil Espanhola, a Revolução Cubana, a Revolução Zapatista no México. E Löwy encerra a edição brasileira do livro com uma questão: “Revoluções brasileiras?”, recusando as falsas revoluções, como o golpe militar, e preferindo as verdadeiras intenções revolucionárias, como Canudos.

Michael Löwy é um dos mais importantes intelectuais marxistas brasileiros da atualidade. Formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, vive em Paris desde 1969, onde hoje é diretor do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Até este livro, sua relação com a fotografia não era tão evidente.

Revoluções, Brasil, Prisioneiros sobreviventes de Canudos

Camponeses ajudam Fidel Castro a cruzar as montanhas, 1959

Um ou outro pesquisador da fotografia interessado em Benjamin pode ter se deparado com um de seus livros “Walter Benjamin: aviso de incêndio” (São Paulo: Boitempo, 2005), que discute com muita clareza um dos textos mais enigmáticos do pensador alemão: suas teses “Sobre o conceito de história”.

Em Revoluções, vê-se claramente o propósito de fazer da imagem mais que uma ilustração: a narrativa verbal e a narrativa fotográfica tem, cada uma delas, seu devido espaço e seu devido papel.

“É claro que as fotografias não podem não podem substituir a historiografia, mas elas captam o que nenhum texto escrito pode transmitir: certos rostos, certos gestos, certas situações, certos movimentos. A fotografia permite que se veja, de modo concreto, o que constitui o espírito único e singular de cada revolução. Alguns críticos negam o valor cognitivo das fotografias de acontecimentos (p.13).

Löwy sabe que o material que reúne, antes de servir à pesquisa, participa da própria história. E, ainda numa perspectiva benjaminiana, convida a observar essas lutas interrompidas ou vencidas como o retrato de uma utopia que pode, também, agir sobre o nosso futuro.

“À medida que se avança no tempo, a fotografia torna-se não apenas um espelho – necessariamente deformador – dos eventos revolucionários, mas também um ator histórico, um instrumento de combate. Cada campo, nos enfrentamentos ou nas guerras civis, utiliza a fotografia como meio de propaganda, símbolo de união, sinal de reconhecimento. E, é claro, as fotografias das revoluções anteriores inspiram cada nova revolução” (p. 17-8).

Fidel Castro ensinando a utilizar uma arma, 1959
Coluna Garcia Oliver em Barcelona, 1936
México, Francisco Madero aclamado pelos Zapatistas, 1912
México, Pancho Villa e seus tenentes, 1915

Oficina “Libro de Autor”

Foto: Divulgação - Série de livros de Gustavo Wojciechowski

Estão abertas, até 28 de julho, as inscrições para a oficina “Libro Fotográfico de Autor”, oferecido pela Asociación de Amigos del CMDF y CMDF Uruguai. O curso é ministrado por Gustavo Wojciechowski (Maca) e começa no dia 04 de agosto, na Sala del CMDF.

A ideia é oferecer aos interessados algumas dicas e ferramentas sobre a edição de um livro de fotografia. Todo o conteúdo é dividido entre exercícios práticos/teóricos e os temas abordados passam pelo formato, sistemas de impressão, conceitos, entre outros importantes tópicos para desenvolvimento de um projeto completo.

Aqui você encontra informações sobre os pré-requisitos e inscrições.

Mar del Plata ¿infierno o paraíso?

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1982

Livros de fotografia provocam, digamos, o reconhecimento da construção da narrativa visual de determinada temática para quem contempla. Talvez pareça óbvio essa colocação. Contudo, a percepção se estabelece por vários ângulos da compreensão. Dentre esses ângulos, o caráter espacial nos faz discernir aspectos sensíveis que cercam a imagem fotográfica.

Mar del Plata, ¿infierno o paraíso?, do fotógrafo argentino Ataúlfo Pérez Aznar (Ediciones CMDF, 2010) faz esse exercício e nos leva a caminhar por limites de espaços. Aznar resolve mostrar o lado menos nobre da “visão do paraíso”, do sol soberbo e, claro, do senso idílico que ronda de modo contumaz os balneários. O curso da história então vai se delineando pela negativa dos paradigmas de beleza e perfeição. O ensaio em preto e branco documenta – com inclinações etnográficas – personagens, situações e a dinâmica de Mar del Plata.

Não há glamour, nem fetichizações. Há a tônica da vida prosaica com todas suas especificidades, modos e formas da sociedade retratada. Aznar discorre em texto presente no livro que o trabalho é reflexo de sua cosmo visão e de um sentimento de confraternização. Para ele, o fim deste processo criativo é “la búsqueda de nuestra identidad real, no ideal ni esquemática”. Além de reivindicar a humanidade do indivíduo, Aznar acredita que se possa compreendê-lo sem justificá-los.

Os espaços fotografados, ponderados pelo clássico enquadramento, perpassam a problemática da indefectível fragilidade da sociedade. Percebido nas diferenças e na complexidade da vida enquanto cenas isoladas, cada fotografia recompõe os espaços e a relação das pessoas à esse meio. O olhar que documenta procura, se aproxima, dá tempo a explorar a temática… A documentação deste lugar vem desde 1981. O texto de apresentação de Silvia Mangialardi coloca a “mirada” de Ataúlfo Pérez Aznar como certa união entre humor e fina ironia. Vou um pouco mais além… Acredito que a imagem indica espaços simbólicos profusos. A cada “lugar” (seja da composição ou do ambiente real) apreendido por Aznar, nossa percepção adentra nas retóricas de seu registro.

Apesar da essência documental, o olhar do espectador respira. Esse é o grande diferencial da autenticidade de trabalhos fotográficos que partem do registro que busca in loco descrições em seu tema. O livro de Aznar coincide de certo modo com a reflexão de uma das maiores autoras que temos no Brasil que é Fayga Ostrower. Ela coloca: “No ato de perceber, ele tenta interpretar e, nesse interpretar, já começa a criar. Não exsite um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação”. Aznar, com a bela edição de seu livro deixa que a simplicidade de sua criação nos encaminhe a complexidade alegórica que os espaços fotográficos possuem.

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1984

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1985

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1990

Edições CMDF

Livro "Life is too short"de Ignacio Iturrioz

Publicar um livro. Sonho de muitos autores, fotógrafos e pesquisadores.

Dentre as ações que visam a difusão da fotografia em Montevidéu, realizadas pelo Centro Municipal de Fotografía (CMDF), há a edição de livros. O CMDF faz um trabalho primoroso de conservação e guarda de acervo fotográfico histórico e contemporâneo, além de um conjunto de linhas de fomento em educação, encontros, debates, rede de informações de fundos fotograficos pelo país, etc. Ao organizar, promover a conservação e a difusão desse material iconográfico, o público entra em contato com a memória e a atualidade da fotografia de um país tornando as relações de memória e pesquisa efetivas para a população.

A publicação dos títulos anualmente, segue uma divisão: um livro fotográfico de autor uruguaio; um livro fotográfico de autor residente na América Latina e um livro teórico de investigação sobre fotografia.

Para baixar todos os regulamentos e informações, aqui.

Os projetos para os livros deverão ser submetidos entre 18 a 23 de outubro de 2010.