Garapa entrevista Molina

Juan Antonio Molina estudou história da arte na Universidade de Havana, em Cuba, onde já foi curador da celebrada Bienal de Havana e da Fototeca Nacional de Cuba. Durante quatro anos, deu aulas na Faculdade de Artes Plásticas da Universidade Autónoma del Estado de Morelos, no México, e foi editor da revista de arte e literatura Fisura. Atuou como cocurador da antológica mostra Fotografia Latinoamerica (1991-2002), organizada pelo Instituto de Cultura de Barcelona. Atualmente, mora no México e acredita que “o panorama da fotografia contemporânea latino-americana é um bom exemplo do comportamento de um sistema de dialetos no espaço artístico. É a expansão do campo linguístico; ceticismo e irreverência se dirigindo rumo à história”.

Sobre as entrevistas:

O video acima faz parte de uma série de 20 entrevistas que está sendo produzida pelo Coletivo Garapa durante o 2º Fórum Latinoamericano de Fotografia de São Paulo. As câmeras Video DSLR, como a 5D Mark II que utilizamos, gravam no cartão um arquivo de no máximo 4 GB, interrompendo a gravação após aproximadamente 12 minutos.

Nossa proposta, portanto, é aproveitar essa limitação e realizar as entrevistas sem cortes durante o período que a gravação durar.

Veja todas as entrevistas da série no canal do Itaú Cultural no YouTube.

Mesa Fora de casa

Fotos: Olga Lislov – Mesa "Fora de Casa"

O burburinho toma conta da última entrevista da noite.

No palco, Luis Weinstein, Iatã Cannabrava e Rubens Fernandes Junior acertam os últimos detalhes para o início da mesa que abordará o tema “Fora de Casa”, 50% do título do Fórum, nas palavras de Eder Chiodetto, mediador da ocasião.

Após um breve aviso de segurança para a sala mais uma vez lotada, Iatã informa que além da fila para entrada no auditório onde as entrevistas e mesas estão acontecendo, na web, o acesso à transmissão ao vivo também é disputado, passando dos milhares e, em três línguas, nas duas oficiais do Fórum, o português e o espanhol, além é claro, do inglês.

Cecilia Fajardo Hill, Juan Antonio Molina e Rubens Fernandes Junior  integram a mesa. Cada um dos convidados, uma nacionalidade e muitas cidadanias – nova zelandesa, venezuelana, inglesa, cubana, mexicana, brasileira – mas, como Molina mesmo disse, uma cidadania caracterizada por estar “fora de casa” e assim, com tantas cidadanias e nenhuma (ao mesmo tempo), a discussão começa.

A história da fotografia latino-americana, a migração, os não-lugares, a construção da identidade, a realidade, a ficção, o trânsito e o transe. Cada convidado uma abordagem, cada abordagem um tema e cada tema um olhar, mas este sempre estrangeiro, mesmo que lançado de dentro de casa.

Confira também a entrevista de Cecilia Fajardo-Hill e o depoimento de Rubens Fernandes Junior ao Fórum Virtual.

Workshop – Juan Antonio Molina

Foto: Yelena Sabitova - O curador Juan Antonio Molina

“A curadoria como (In) Disciplina”, workshop ministrado pelo cubano Juan Antonio Molina, instiga já pelo título e, ao mesmo tempo, liberta a imaginação para um mar de interpretações. Aqui neste post, Lua Cruz e Lívia Aquino, que acompanham a oficina falam, uma da expectativa em relação à oficina, e outra sobre o desenrolar do processo.

“Minha expectativa é poder escutar um relato mais comtemporâneo sobre a curadoria atual sob o olhar de um representante dessa geração latino-americana. Além disso, poder desenvolver coletivamente uma experimentação de curadoria em meio digital discutindo o ‘fora de casa, fora do eixo’. Nessa relação de interferência mútua da comunicação, a curadoria.” – Lua Cruz.

“Gosto de pensar a noção de (in) disciplina que Molina aborda na curadoria, com rompimento das formas tradicionais de discutir a imagem fotográfica. Este exercício que estamos fazendo de dissecar um grupo de fotografias para criar um sentido é muito interessante.” – Lívia Aquino.

O exercício citado por Lívia foi uma proposta de curadoria a partir de 34 imagens do fotógrafo Pedro Meyer. Nessa “brincadeira”, Molina conduz discussões sobre as relações de tema, forma, estilo, significado e discurso.

Leia também a entrevista de Juan Antonio Molina aqui no Fórum Virtual.

Foto: Yelena Sabitova - Lua Cruz fazendo suas anotações durante a oficina

Foto: Yelena Sabitova - Molina e parte da turma

Foto: Yelena Sabitova - Rosely Nakagawa também participa da oficina

Inscrições gratuitas para workshops e leitura de portfólio

Estão abertas, até 5 de setembro, as inscrições gratuitas para os workshops e leituras de portfólio do 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.

O evento será realizado entre os dias 20 e 24 de outubro, no Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, São Paulo/SP).

Transporte aéreo e hospedagem
Entre as novidades do Fórum, destacamos o custeio de passagens aéreas e hospedagem para não residentes no estado de São Paulo. Ao se inscrever, o participante estará, automaticamente, concorrendo a tickets de ida e volta e diárias no período de 20 a 24 de outubro. Serão contemplados com os referidos benefícios até 04 (quatro) participantes indicados pela comissão de seleção.

Saiba como se inscrever, enviar seu portfólio, conhecer o regulamento e horários no Fórum Virtual. Qualquer tipo de dúvida, escreva para portfolio@itaucultural.org.br. No site do Fórum você encontrará os temas das atividades, quem são os coordenadores, a programação completa das mesas de debate, entre outras informações.

Luis González Palma – A fotografia como sentido

O objetivo do workshop é pensar a imagem sob pontos de vista diferentes dos especificamente estéticos ou teóricos. Além disso, tenciona promover um diálogo sobre as obras dos participantes a partir de alguns questionamentos: por que fazer uma obra? Para que fazê-la? Do que falamos quando falamos de nossas imagens? Trata-se de uma tentativa de compreender o olhar de cada um, tomando como base suas histórias pessoais e sua intimidade.

Foto: Luis González Palma

Joan Fontcuberta – Por uma fotografia sem qualidade

O workshop parte da ideia de que a fotografia feita por profissionais é entediante e patética. Entra em foco a fotografia sem qualidade, realizada sem pretensões e que, entretanto, está à espera de ser repensada e reciclada. Para Fontcuberta, a criação atual não está baseada na produção material da imagem, mas na atribuição de sentido. A manipulação e a circulação das imagens teria se tornado mais importante que seu conteúdo.

Foto: Joan Fontcuberta

Juan Antonio Molina – A curadoria como (in)disciplina

Direcionado a fotógrafos, críticos de arte, historiadores da fotografia e curadores, o workshop visa criar e/ou reforçar as habilidades dos participantes para a curadoria e a edição de imagens fotográficas por meio de um exercício coletivo de projeto curatorial.

Claudi Carreras – Fotografia como projeto cultural

Os objetivos do workshop são analisar a conceituação do projeto fotográfico em um meio saturado por imagens e pesquisar os canais de visibilidade contemporâneos a fim de viabilizá-lo. Mais amplamente, trata de analisar, em conjunto, novas plataformas de ação para a fotografia, entendida como um vetor da comunicação social. Destinado a fotógrafos e gestores culturais.

Roberto Huarcaya – Novas ferramentas para a discussão de um ensaio fotográfico

Os participantes escolhem um entre os vários temas lançados como desafio pelo coordenador e têm que apresentar o andamento de seus trabalhos em duas etapas (ao longo das duas semanas anteriores ao Fórum). Durante o workshop presencial, os resultados são discutidos. Todo o processo será publicado no Fórum Virtual.

Foto: Roberto Huarcaya

Alec Soth – Fazendo um livro de fotografia

Neste workshop, são discutidas as diferentes abordagens na concepção e na execução de um livro fotográfico. Edição, layout e design de um fotolivro bem como os canais contemporâneos de difusão são alguns dos temas abordados.

Foto: Alec Soth

Sábado, 23/10/2010 – Leitura de Portfólio com Alejandro Castellanos, Alejandro Castellote, Brett Rogers, Carlos Carvalho, Eder Chiodetto, Florencia Malbran, Joana Mazza e Joerg Bader.

Domingo, 24/10/2010 – Leitura de Portfólio com Claudi Carreras, Daniel Sosa, Diógenes Moura, Fredi Casco, Lesley A. Martin, Pablo Corral Veja, Ramón Reverté e Roberto Huarcaya.

Workshops e leituras de portfólio no Fórum

Foto: Alec Soth

Quem anda ligado Fórum Virtual já percebeu que, de uns tempos pra cá, nosso menu ganhou um item bem especial e esperado por muitos, o “Inscrições”.

Até 5 de setembro toda e qualquer pessoa pode tentar uma vaguinha nas oficinas e leituras de portfólio que irão rolar entre os dias 20 e 24 de outubro no Itaú Cultural e na Casa das Rosas, em São Paulo.

Tem muita coisa e gente boa para aproveitar: Alec Soth, Claudi Carreras, Juan Antonio Molina, Luis González Palma, Roberto Huarcaya, Joan Fontcuberta, Pablo Corral Veja, Ramón Reverté, Diógenes Moura e vários outros nomes super interessantes da fotografia.

O melhor de tudo é que os interessados não gastam um tostão para participar, todas as oficinas e leituras são gratuitas.

As inscrições acontecem unicamente no Fórum Virtual e o edital completo pode ser lido aqui.

Nos vemos por lá!

Retrospectiva

Foto: Pedro David

Momento retrospectiva!

Depois de um mês de blog, decidimos fazer uma espécie de retrospectiva dos vários posts que já rolaram no Fórum Virtual. Boa chance para aqueles se estão chegando agora ou pra quem andou perdendo algum assunto interessante no decorrer deste tempo. Lá vai…  

ENTREVISTA  

Maurício Lissovsky  

Juan Antonio Molina  

Giselle Beiguelman 

Claudi Carreras 

Luis González Palma 

PORTFÓLIO 

Fernando Gómez  

Martín Batallés  

Cannon Bernáldez  

Pedro David  

Nico Silberfaden  

Alexander Apóstol  

RESIDÊNCIA  

A terceira margem do tempo fotográfico…  

Um fotógrafo na mira do tempo  

O pólo nordestino  

São Paulo, el Forum y el Instante Decisivo  

Dittborn y la fotografía en el “espacio de acá”  

El oficio Del fotógrafo  

El oficio Del fotógrafo#2  

ESCOAMENTO  

¿Dónde están?  

Diseño y determinismo de los códigos  

Bloco de Notas  

Um mergulho no abismo  

El cambio en la mirada y su efecto en los medios   

ROTAS

Os nativos vistos pelos viajantes #1

Os nativos vistos pelos viajantes #2

Os nativos vistos pelos viajantes #3   

A crueza dos vestígios  

Mar del Plata ¿infierno o paraíso?

Revoluções

 Fotografia, Antropologia y Colonialismo  

Estética Fotográfica  

“Art in theory”

Sobre encargos y desapariciones   

NOTAS  

Revista mexicana Cuartoscuro  

XVI Encuentros Abiertos – Festival de la Luz  

Fundación PH 15  

Lourdes Grobet

Molaa  

f/22 

Lima Photo 2010  

Fotografia Mapuche  

Feria de Libros de Foto de Autor

Bassaï em Buenos Aires

 E ainda tem mais

Juan Antonio Molina

 

Foto: Lu Franco

 

Juan Antonio Molina é um daqueles críticos que quando lemos pela primeira vez os seus textos nos perguntamos: como aquelas ideias ainda não faziam parte de nossa rotina de leituras?

Em Cuba, onde nasceu, estudou História da Arte (Universidade de Havana) e iniciou suas pesquisas em fotografia. Mora no México e é um dos curadores mais atuantes na fotografia contemporânea internacional e seu blog, Página en Blanco, é um “baú” com grandes textos sobre fotografia mexicana e ensaios teóricos, que traduzem a crítica refinada e reflexões sempre bem elaboradas.

Juan Antonio Molina traz a coesão de sua escrita para seus trabalhos curatoriais nos quais concentra-se nas tensões e problematizações da cultura visual contemporânea.

Nesta entrevista, é possível observar que crítica e curadoria são funções dentro do campo fotográfico que exige dedicação à pesquisa, à observação e à busca pelo conhecimento de poéticas e conceitos (e porque não ideologia, como ele mesmo coloca). “Me llaman la atención las contradicciones, sobre todo en la medida en que me veo reflejado en ellas” ou “las contradicciones entre el saber y el poder o entre la verdad y la mentira. Creo que sobre esas contradicciones es que se ha construido la historia de la fotografía latinoamericana como “fotografía latinoamericana”. A partir dessas ideias, se sugere o porquê de Juan Antonio Molina ser um instigante e profícuo critico contemporâneo.

Georgia QuintasCuentános sobre el inicio de su trayectória como crítico y curador.

Juan Antonio Molina – Puedo dividir el inicio de mi trayectoria en varios momentos que abarcan los últimos años que viví en Cuba.

Primero debo mencionar el período entre 1988 y 1990, cuando realicé mi primera investigación sobre fotografía cubana. Fue mientras hacía mi tesis de graduación en la Facultad de Artes y Letras de la Universidad de La Habana. La investigación tenía que ver con la relación entre fotografía y arte durante la década de 1980. Era lo que entonces llamábamos “fotografía manipulada”. Ese trabajo me permitió relacionarme con artistas como José Manuel Fors, Arturo Cuenca, Marta María Pérez o Rogelio López Marín, entre otros, que me aportaron mucho. También fue mi primer acercamiento a la historia de la fotografía. Y fue la primera experiencia de estudio de la fotografía en un contexto en que se cruzaba lo documental con lo artístico. Desde entonces estuve preparado para asumir ambas funciones de la imagen fotográfica.

Me resulta imprescindible mencionar que no hubiera sido posible esa investigación sin el aporte de Eduardo Muñoz Ordoqui, quien es uno de los fotógrafos más talentosos de mi generación, y una de las figuras que más influencia moral e intelectual ha tenido en mi vida. El fue mi condiscípulo en la universidad, y me enseñó a amar y conocer la fotografía, y fue quien me indujo a realizar ese trabajo.

Después viene la etapa en que realicé mi servicio social en la ciudad de Matanzas. Allí aprendí a trabajar con las comunidades, con la gente común, que no pertenece al mundo del arte. Aprendí a trabajar con el público real. Lo mismo dando clases que enseñando una obra de arte en una fábrica, o hablando de arte por la radio o curando una exposición para una galería de provincia. Entonces no entendía lo que estaba haciendo, porque en ese momento yo pensaba que la meta era ser un curador internacional. Ahora entiendo que en esa época aprendí a ser humilde. Ahora ya no me importa ser un curador internacional, pero eso lo aprendí trabajando con un grupo de gente simple en un oscuro pueblo de provincias.

Otro momento importante fue mi primera etapa de trabajo en la Fototeca Nacional de Cuba. Allí tuve como colegas a fotógrafos como Kattia García y Eduardo Muñoz. Juntos hicimos un trabajo de promoción de fotógrafos jóvenes, como René Peña, Manuel Piña o Juan Carlos Alom. Aprendí las primeras nociones de conservación y museografía y tuve experiencias muy interesantes como curador de fotografía. Esa etapa se complementa con el período, entre 1992 y 1995, en que trabajé como investigador y curador en el Centro Wifredo Lamm. Participar en el proyecto de la Quinta Bienal de La Habana es una de las experiencias profesionales más intensas que he tenido. El trabajo en equipo era algo muy enriquecedor, así como la sensación –un poco ilusoria, pero no por eso menos gratificante- de compartir un ideal desinteresado y generoso de amor al arte y al trabajo.

Después de eso vino mi inicio como curador independiente, en un período en que hice dos exposiciones: El voluble rostro de la realidad: Siete fotógrafos cubanos (1996) y Territorios utópicos. Arte cubano contemporáneo (1997). Ambas fueron patrocinadas por la Fundación Ludwig de Cuba. La primera sirvió para dar más visibilidad y un sentido de consistencia a la nueva generación de fotógrafos que estaba marcando el tono de la escena cubana a fines del siglo XX. La segunda, en la que trabajé con otros curadores, como Eugenio Valdés, Scott Watson y Keith Wallace, fue mi primera experiencia fuera de Cuba, y su inauguración ocurrió cuando ya me había establecido en México.

 

Foto: Eduardo Muñoz Ordoqui – Shaking with China. Serie Five and a Half Meals. Archivo digital. Austin, 2005. Cortesía del autor

 

Foto: Marta María Pérez – S/T. Serie Homenaje a Rodin. Archivo digital. México, 2009-2010. Cortesía de la autora

 

Georgia QuintasSus textos críticos acerca la fotografia traen cuestiones muy bien contextualizadas a partir de la Historia del Arte. Son análisis reflexivas que nos provocan para donde el lenguaje fotográfico está caminando. No crees que esta construcción de fundamentos que envuelven las artes visuales (y por supuesto la fotografia está ahí) enriquecen la compreensión sobre los puntos de rupturas, referencias y diálogos?

Juan Antonio Molina – Sí, estoy de acuerdo. Pero me gustaría añadir que no sólo contextualizo la fotografía en relación con las artes visuales, sino en relación con la cultura visual contemporánea. Ese punto me parece crucial para entender lo que trato de decir sobre la fotografía.

Georgia QuintasLo que le llama atención en la fotografia contemporánea en Latino América? Las fronteras son simepre muy lejas de nosotros, pero las criaciones artísticas suelen establecer mecanismos expansivos (prodríamos decir de cambios) sorprendentes. Lo que le parece?

Juan Antonio Molina – Me llaman la atención las contradicciones, sobre todo en la medida en que me veo reflejado en ellas. Las contradicciones entre las referencias locales y los sistemas transnacionales de circulación, legitimación y consumo de las representaciones, las contradicciones entre lo fotográfico y lo extrafotográfico, o entre lo artístico y lo extraartístico, las contradicciones entre lo que se es, lo que se quiere ser y lo que se aparenta, las contradicciones entre la pertenencia y el desarraigo, entre la realidad y los discursos, entre lo que se exhibe y lo que se encubre. Y también las contradicciones entre el saber y el poder o entre la verdad y la mentira. Creo que sobre esas contradicciones es que se ha construido la historia de la fotografía latinoamericana como “fotografía latinoamericana”.

Georgia QuintasMucho se discute sobre los roles de la curadoría. Cualquiera puede ser curador?

Juan Antonio Molina – No cualquiera puede ser curador. Pero tampoco sirve de mucho ser “exclusivamente” curador.

Georgia QuintasCuando Usted trabajó com la exposición Cuba Imaginada, del fotógrafo mexicano Pedro Meyer, está muy bien fundamentada las bases de su construcción acerca la estética del flâneur de Meyer por Cuba. Debo añadir sus colocaciones como “desrealización de lo real” o “uua de las consecuencias es la pulcritud de cada foto”. De ahí, se percibe su interacción de pensamiento con ese ensayo y el poder de refexión que las imágenes provocan. Nos hable sobre eso proceso.

Juan Antonio Molina – Trabajé Cuba imaginada como un ensayo. Para mí ese trabajo no se reducía a la revisión y selección de fotos. Se trataba también de replantear el modo en que yo mismo me relacionaba con las fotos, con una manera particular de publicarlas y con una manera específica de construir el lenguaje para hablar sobre las fotos. Por eso pensé todo el tiempo que no estaba curando una exposición, sino ensayando una manera abierta de articular la mirada sobre las fotos con el lenguaje, la escritura y la relectura de los textos y de otras fotos. Por eso refería el conjunto, no solamente a la realidad cubana, fotografiada por Meyer, sino también a la fotografía cubana que le fue contemporánea. Todo eso tiene que ver con el hecho de que estaba trabajando para una exposición virtual, con archivos digitales, con una idea previa de que el resultado sería interactivo. Así que pude pensarlo como un proyecto descentrado (de hecho, el título de uno de mis textos era “Notas al margen de la fotografía cubana”). O sea, todo el tiempo jugué con la idea del fragmento, de lo periférico, de lo transitorio. Y creo que, en general, todo el proyecto Herejías, del que Cuba imaginada es sólo una mínima parte, es una propuesta de descentramiento de la foto.

Creo que ese ensayó influyó mucho en mi personalidad como escritor y curador, porque empecé a entender, en carne propia, cómo los nuevos medios impactan en la experiencia misma de la escritura y de la circulación y consumo de los textos y las imágenes.

Georgia Quintas – Al arrojar luz a la crítica, se viene la pregunta, es preciso estudiar profundamente para traspasar la imagen y traer para el público un poco de la dimensión simbólica de la obra fotográfica. La curadoría es esto eslabón, no estoy cierta?

Juan Antonio Molina – Sí, la curaduría requiere de respeto por el conocimiento y de respeto por el arte y los artistas. Y respeto por la gente en general. Tiene una dosis no desdeñable de humanismo. Y obliga al estudio de muchas disciplinas asociadas a la historia del arte, como la sociología, la estética, la filosofía y otras. Pensando en ese carácter multidisciplinario es que he hablado de la curaduría como “(in)disciplina”.

 

Foto: Pedro Meyer – S/T. Negativo B/N, 35 mm. Cuba, 1979. Cortesía Fundación Pedro Meyer

 

Georgia Quintas A propósito del Foro, las fronteras nel campo fotográfico son subjetivas y abstractas? Comprendes la perspectiva cultural como discurso anclado en los temas, estilos y lenguaje?

Juan Antonio Molina – Quisiera creer que todas las fronteras son subjetivas y abstractas. Y que por eso es tan fácil cruzarlas y tan difícil dejarlas detrás.

Muchas veces reducimos la perspectiva cultural a los soportes formales y técnicos de los lenguajes, pero a mí me gusta prestar atención, no solamente a lo que soporta al lenguaje, sino también a lo que lo socava, lo reblandece y le pone trampas. Por eso me interesa el campo de lo ideológico.

Georgia Quintas Cómo se desarrolla la mirada del curador al buscar trabajos em otros territórios geográficos? Cómo huir del exotismo y reconocer en el espanto el vigor da inquietación de la criación fotográfica? Ser comisario, me parece, que es lidar con la doble mirada. O sea, administrar su visión de mundo a favor de la alteridad, no es?

Juan Antonio Molina – El curador contemporáneo tiene mucho de nómada, tiene mucho de viajero e incluso de turista. No es un sujeto sedentario, sino más bien migrante. Y esa figura es muy coherente con prácticas culturales que ya no se limitan a territorios geográficos específicos. Quiero decir que hay una ubicuidad en los lenguajes y en las experiencias del arte contemporáneo, que es equivalente a la ubicuidad física e imaginaria del curador.

Comparto el sentimiento general de rechazo por el exotismo, pero no creo que sea totalmente evitable una dosis de sorpresa ante el otro, una dosis de mitificación e incluso de incomprensión del otro. No creo que sea evitable una dosis de error. Pero coincido contigo en esa posibilidad que formulas de una manera tan bonita: la de administrar la visión propia del mundo a favor de la alteridad. Sería como aprender a ser – como diría Julia Kristeva – “extranjeros para nosotros mismos”.

Georgia Quintas Al fín y al cabo, hay un porqué para la fotografía? Me viene algo, aunque muy poético pero de extrema contundencia – cuando dije en dado texto que la “intensa relación con lo espiritual puede llegarse a niveles de perfección formal como los que alcanza Abelardo Morell”. Podemos compartir que la fotografía es un modo de sentir, por encima de todo, no?

Juan Antonio Molina – Tu pregunta me recuerda un artículo que leí hace 20 años, cuando comenzaba a estudiar la teoría y la historia de la fotografía. Se titulaba “¿Por qué y para qué se fotografía?” Creo que el autor era Canclini. Y eso me hace pensar también en Pedro Meyer postulando “fotografío para recordar”. Yo creo que sí, que la mayoría de la gente fotografía para recordar, pero que muchas veces los fotógrafos artistas y/o profesionales fotografían para manipular estéticamente (también políticamente, cuando viene al caso) los recuerdos de los demás, o la necesidad de recuerdos que tenemos los demás. Se trata de jugar con las muchas variantes de esa relación perversa que mantenemos con las figuras de la pérdida y del deseo y que, mediante la imagen fotográfica, codificamos como “memoria”. Por eso, aunque yo no diría que la fotografía es “un modo de sentir”, si me parece que recordar es un modo de sentir, y que la reelaboración estética (y en ese sentido, también ficticia) de la memoria sigue siendo crucial para la práctica fotográfica.

Foto: Cia de Foto – Políticos, 2008

 

Foto: João Castilho – Montagem da exposição "Redemunho" no Instituto Cervantes de Madri