Mesa Fora do Eixo
Enquanto na entrada do evento, uma silenciosa Maureen Bisilliat observa as mesas ocupadas por Claudi Carreras, Guadalupe Ruiz, Pablo Corral Vega… em leituras informais de portfólio, dentro do auditório, Elda Harrington, Paolo Gasparini, Fred Casco, Alejandro Castellote, Juan Antonio Molina e muitos outros aguardam o início da mesa “Fora do Eixo – as Novas Plataformas”.
Para começar, Iatã conta uma história sobre uma amiga francesa que não conseguia explicar para os amigos “estrangeiros” o que é estar fora do eixo. Tal dificuldade de encontrar uma tradução que abrangesse todo o significado da expressão “fora do eixo” já era um indicativo da complexidade do tema que aquela mesa, nas palavras de Iatã, estava se propondo, não a dar respostas, e sim, a ajudar a pensar. E Luis Weinstein recorre a seu resumo de algumas folhas somente para apresentar os currículos dos cinco integrantes da mesa… para eles, instigar o pensar é uma constante.
E a mesa começa, com Ronaldo Entler comentando que Iatã havia “pego” toda sua fala ao comentar sobre a ampla confusão que a própria evolução da comunicação trouxe, sobre o que é áudio, o que é fotografia, o que é vídeo, mas isso não era realmente um problema, pois todos estavam ali para pensar juntos. E Eduardo Brandão começa a explicar a exposição “Mapas, Piratas e Tesouros” da qual é curador, mas foi pensando junto com a co-curadoria da Cia de Foto que ela se realizou.
Gisele Beiguelman logo começa sua apresentação questionando sobre o nome “novos formatos”, pois dada a rápida obsolescência tecnológica, o novo agora, amanhã literalmente pode ser o obsoleto. E Gisele traz Flusser para pensar junto com ela.
Em seguida vem Jorge Villacorta que traz em sua apresentação uma mistura das principais inovações tecnológicas dos últimos anos – como celulares, câmeras digitais, redes sociais, assim como a “reinvenção” de coisas antigas, como a fotografia sem qualidade, trazida por boons fashionistas como a onda Lomográfica, e assim, com referências comuns a todos os presentes na sala, Jorge pensa com a platéia.
Confira a entrevista de Gisele Beiguelman ao Fórum Virtual.
Mestre em multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), é professor e coordenador de pós-graduação da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Atua como professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp. Trabalhou como fotojornalista entre 1987 e 1991, período em que participou de diversas exposições fotográficas. Foi também diretor artístico da área de fotografia da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, de São José dos Campos. Com Rubens Fernandes Junior, fundou o blog Icônica, um dos principais centros de reflexão da fotografia do país.
Fotógrafo e curador, estudou fotografia no Brooks Institute of Photography, em Santa Barbara, na Califórnia. Foi editor de fotografia da Revista da Folha e deu aulas na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado – Faap, em São Paulo. É sócio-proprietário da Galeria Vermelho. Atuou como curador nas mostras Iconógrafos (1991) e Imagética (2003). É cocurador das exposições do 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.
Diretor da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Álvares Penteado – Faap, em São Paulo, é doutor em comunicação e semiótica e atua como professor. Participa do Conselho Curador da Coleção Pirelli, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde já trabalhou como curador de fotografia. Organizou, entre outros, os livros dos fotógrafos Geraldo de Barros, Otto Stupakoff e Thomaz Farkas, todos publicados pela editora Cosac Naify. Recebeu o prêmio de Melhor Curadoria da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pelo seu trabalho como curador da mostra de fotografias de Geraldo de Barros, (As)simetrias, (2006).
Nascido na pequena cidade de Gorizia, na Itália, Gasparini viajou para Venezuela em 1995, onde então morava seu pai, e começou a trabalhar profissionalmente fotografando arquitetura, tema de vários de seus livros, a exemplo de Megalopolis – Los Angeles, Mexico, San Paolo (Centro di Ricerca e Archivazione della Fotografia, 2000). A convite da Unesco, viajou por vários países para retratar os diversos aspectos da arquitetura latino-americana. Influenciado pelo fotógrafo americano Paul Strand (1890-1976), voltou-se para o neorrealismo e para o registro da sociedade. Viveu em Cuba de 1961 a 1965, onde trabalhou com o escritor Alejo Carpentier, no Consejo Nacional de la Cultura. Uma amostra do que produziu nessa época está em seu livro La Ciudad de las Columnas (Editora Espasa Calpe, 2004). Nas décadas de 1980 e 1990, dedicou-se à pesquisa da construção de imagens sequenciais, discutindo desse modo a linguagem fotográfica.
Fotógrafo colaborador de revistas como National Geographic, Smithsonian, Traveller e The New York Times Sunday, seu portfólio visita países a exemplo do Brasil, da Austrália, do Camboja e da Romênia, entre tantos outros. Corral Vega é o fundador do site Nuestra Mirada (www.nuestramirada.org), rede que concentra centenas de fotojornalistas da América Latina e já expôs em Perpignan, Tóquio, Sevilha, Washington e Quito, entre outras cidades. Em um depoimento, o escritor peruano Mario Vargas Llosa disse que, nas imagens feitas por Corral Veja, identificam-se sempre a esperança, a afirmação pela vida e um desejo de sobreviver mesmo diante das piores adversidades.
Chileno de Santiago, é produtor e coordenador do FotoAmerica e organizador do Festival Internacional de Fotografia de Valparaíso. Também é editor da revista Sueño de la Razón, da qual participam sete países, numa dinâmica de trabalho nascida durante o 1o Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo. Em sua vasta atuação inclui-se a participação como fotógrafo em dezenas de mostras; como produtor, foi responsável pela mostra de Henri Cartier-Bresson em Santiago (2004). Atua como professor e diretor de fotografia em filmes de longa metragem.
Estudou história da arte na Universidade de Havana, em Cuba, onde já foi curador da celebrada Bienal de Havana e da Fototeca Nacional de Cuba. Durante quatro anos, deu aulas na Faculdade de Artes Plásticas da Universidade Autónoma del Estado de Morelos, no México, e foi editor da revista de arte e literatura Fisura. Atuou como cocurador da antológica mostra Fotografia Latinoamerica (1991-2002), organizada pelo Instituto de Cultura de Barcelona. Atualmente, mora no México e acredita que “o panorama da fotografia contemporânea latino-americana é um bom exemplo do comportamento de um sistema de dialetos no espaço artístico. É a expansão do campo linguístico; ceticismo e irreverência se dirigindo rumo à história”.
Fotógrafa colombiana cuja obra pode transitar tanto por um confronto urbano e humano, como nas fotografias da série La Fucking Family, que encena o cotidiano de uma família e sua vizinhança, quanto por paisagens que se acomodam em um forte estilo romântico e extremamente pictórico, próximo ao dos contemporâneos alemães. Em 1995, com 17 anos, mudou-se para a Suíça, onde estudou na École Cantonal d’Art de Lausanne, graduando-se em fotografia. Fez pós-graduação na Universidade de Artes de Zurique, cidade em que vive desde 2002. Recebeu duas vezes o Prêmio Kiefer Hablitzel e atualmente trabalha numa publicação sobre seu trabalho Bogotá D.C., patrocinado pelo Centro de Fotografia de Genebra.
Catalão, está à frente do projeto Laberinto de Miradas, iniciado em 2007 com o objetivo de mapear a imagem produzida pelos países ibero-americanos. O trabalho teve como uma de suas ações a articulação de encontros em São Paulo reunindo os coletivos Cia de Foto, Rolê, No Photo, Blank Paper, Pandora, Kamera Photo, Monda Photo, Organización Nelson Garrido, Supay Fotos e Cooperativa Sub. Pesquisador da Universidade de Barcelona e editor da revista Invisible Photo, foi o diretor do projeto E.CO, produzido pelo governo espanhol e que gerou o 1o Encontro de Coletivos Fotográficos da Europa e América Latina (2010).
Criado em 2003, o coletivo propõe novas leituras fotográficas por diferentes meios. Entre eles, destacam-se a curadoria da Semana Internacional de Fotografia FNAC (2008) e o conselho curatorial do Paraty em Foco (2009) e deste 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo. Também participam de exposições nas quais apresentam ensaios conceituais. Mantém suas obras representadas pela Galeria Vermelho, de São Paulo. Fazem parte do conselho editorial da revista Sueño de la Razón e atuam também no mercado editorial e de publicidade.
Iniciou sua atuação como curador nas Jornadas Universitárias de Fotografia, na capital espanhola. Foi responsável pela área de Fotografia do Círculo de Belas Artes de Madri, onde, por 12 anos, organizou workshops, seminários e exposições. Participou de cinco edições do Festival Foco (Fotografia Contemporânea em Madri). Criou a Sala Minerva de Fotografia, na mesma cidade, destinada a jovens fotógrafos. Fundador do festival internacional PhotoEspaña, foi diretor artístico nas três primeiras edições do evento. Atualmente, é curador independente de fotografia e editor de fotografia contemporânea da Lunwerg Editores, que publicou títulos antológicos como Mapas Abiertos Fotografia Latinoamericana 1991-2002. Colabora com diversas publicações internacionais, entre elas a C Photo Magazine.














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