Liliana Molero
Presencia é o título do ensaio da fotógrafa uruguaia Liliana Molero. O argumento, a própria Molero escreve: “En un lugar que es borde de la civilización, miro y registro la presencia de seres con que compartimos un espacio de todos y de nadie, y huellas de nuestro propio estar. Árbol, ave, caballo, hombre. Tierra, mar, cielo. Madre universal que nos precede y forma. Espiral de vida. Cuidado”.
As paisagens de Presencia são belas. Impressionam pelos tons, pelo esfumaçado que borra os limites dos objetos fotografados. Pela suavidade plástica, a fruição estética transborda.
Tudo que Liliana Molero põe no texto acima é plausível. Contudo, a atmosfera concebida pela fotógrafa é prelúdio, não-lugar (o mesmo do conceito do etnólogo Marc Augé, o lugar que pertence a todos e a ninguém, um lugar diluído, de passagem), a imensidão da sensação.
A paisagem-experimento de Liliana Molero é costurada através de imagens fotográficas que propõem a percepção do sonho, da imaterialidade e do deleite visual.
Em Presencia, o belo condicionado à imagem parece determinar a sedução do olhar, fato que não garante a fruição propriamente; mas que, nessas paisagens – de granulação marcante –, surge o caráter de prazer. Da contemplação envolta em encantamento perceptivo, que naturalmente nos permite rever nossa memória visual, adentramos em um conceito temático simples que é fotografar a vida. E o olhar sensível de Molero constrói, a partir do singelo, a dimensão poética da natureza.
A recorrência do recurso visual de imagens com véus, trabalhado pela fotógrafa, faz com que seja um ensaio que nos surpreenda pelo contentamento em ir a lugares de múltiplas identidades ou nenhuma. Ser feliz diante de uma fotografia cabe ao fato de consideramos se o que vemos é plausível para a nossa imaginação. Presencia ajuda a pensar nisso.
Eduardo Hirose
Por que não nos cansamos de ver fotografias? Por que o encanto não se dissolve? Encontramos, contemplamos…
Nesse processo, nos doamos mais, outras vezes menos, mas seguimos “entrando” nas fotografias. A metafísica, a subjetividade, o tempo distendido, os espaços que nunca estão em nós e sim nos outros poderiam nos dar razões. Certos ensaios vem num tour de force e nos apreendem no movimento espiral de déjà vu. São imagens que remetem, lembram coisas passadas, nas quais vigoram determinada fruição, obstinação em deter o olhar.
Passa isso no ensaio Pozuzo (2004), do fotógrafo peruano Eduardo Hirose. Hirose apresenta a região central de Selva Alta del Perú, onde fica Pozuzo, comunidade de descendentes de núcleos de imigrantes de Tirol, na Áustria, e de Renania, na Alemanha. São registros de cenas cotidianas desta comunidade que nos encantam. Hirose traceja a cadência de fragmentos deste grupo social, através de uma sensibilidade etnográfica contundente. O fotógrafo empreendeu várias viagens a Pozuzo por conta das particularidades culturais, além de ter travado uma história de simpatia pelo lugar e pelas pessoas.
Neste ensaio, o fascínio pelas imagens emerge da beleza. A composição meticulosa, o equilíbrio dos enquadramentos e o preto e branco impecável, discursando com a luz que nos dá motivos em acreditar que ela é da natureza da imagem per si e não da nossa realidade, orquestram as nossas questões.
De certo, o deslumbramento fotográfico na recepção nunca será senso comum, mas pode se revestir em recurso profundo de aproximação diante das fotografias. Deve-se, em grande parte, à plasticidade harmoniosa dos retratos e dos lugares envolvidos pela linguagem de Eduardo Hirose.
Belas, suaves e particulares, as fotografias desse ensaio também são síntese e antítese do que chamamos de documental. Apesar de se situarem pela captura objetiva e descritiva pelo aparente rigor das cenas, são ainda antítese pois fazem digressões sutis sobre o que seria acaso nesta captura documental. Isso muda o percurso de nossa relação com as coisas factuais e passa a ganhar um corpus imaginário nas entre-imagens, nas sublinhas da pose e do olhar perscrutante para a câmera.
Por que “entramos” nas imagens? Talvez, porque achemos que as imagens são cômodas e que o acaso seja o fio da meada que puxa o nosso olhar para o interior da fotografia. Seria simplista demais… Em contrapartida, é acalentadador observar que a beleza dialoga com o que denominamos de documental.
Indícios de que podemos avançar numa premente discussão em que a fotografia contemporânea chega cada vez mais perto da investigação sobre o outro, nos processos de alteridade e intimidade. E a beleza seria só a senha para essa riqueza de elos de sentidos na captação da fotografia.
Lorena Guillén Vaschetti
Se pensarmos na fotografia como artifício de viagem, adentramos em um universo cíclico de idas e vindas na memória iconográfica das passagens da existência de núcleos familiares. Imagens construídas por parentes revelam a nossa própria identidade.
Os dois ensaios da fotógrafa argentina Lorena Guillén Vaschetti proporcionam argumentos fortes para seguirmos “conservando” retratos de família para que vislumbremos a compreensão do percurso da história familiar de cada um de nós.
Como não se lembrar das palavras de Miriam Moreira Leite, diante dos ensaios Secretos de Familia e Sobre Renato Vaschetti de Lorena Vaschetti?
“Divergem dos outros, os retratos não emoldurados e colecionados em caixas de sapado ou gavetas fechadas, de onde são retirados para exibição exclusiva de entes queridos ou àqueles que poderiam reconhecê-los e, pelo reconhecimento, reconquistar-lhes a vida. Nestes casos, a presença de amigos ou confidentes é que traz à luz as fotografias acumuladas, às vezes amarradas com fios de lã ou elástico e ocultas dos estranhos em envelopes pardos”. (Miriam Moreira Leite)
A mãe de Lorena resolveu jogar no lixo os slides da família. Família esta que agora se resume apenas à Lorena e sua mãe. A fotógrafa conseguiu recuperar só uma caixa com slides, pequenas latas e alguns frágeis papéis com identificações. Tudo de autoria do seu avô Renato “inventariando” cenas de viagens da família.
A reação a este encontro é trabalho Secretos de Familia, o qual traz a magia da arqueologia da memória intocada, conservada em seu mundo fotossensível. Sem a visibilidade de cada slide, Lorena passa a criar em torno da apreensão dos “objetos fotográficos” achados. Assim, problematiza questões como ela mesma coloca: “O quanto eu podia ou queria saber sobre o passado? Será que as imagens dizem toda a verdade? Qual o papel da fotografia numa história de família? E o que eu faço com esse ‘presente’”.
Até hoje, Lorena não abriu os montinhos de slides…
O outro ensaio, Sobre Renato Vaschetti, Lorena se aproxima das belas e envolventes imagens das viagens de sua família ao refotografar diretamente dos slides. E, novamente, a forte ligação com o imaginário afetivo destas imagens traça para a fotógrafa outros desdobramentos.
O processo de releitura dos sildes a faz encobrir a identidade dos retratados, pois entende que a memória não é necessariamente a lembrança de um olhar, mas sim muitas outras coisas, sensações mais gerais ou outros detalhes.
Cercada de pensamentos sobre o legado visual do seu avô, Lorena nos apresenta o talento de uma grande fotógrafo “anônimo”. As fotografias são incrivelmente sedutoras, delicadas… De um frescor peculiar. Quantos abuelos-fotógrafos não existem em nossas boloadas caixas de sapatos?
Sachiyo Nishimura
Como é sério pensarmos que sempre o que vemos é representação. Quando algo sugere uma relação de reconhecimento, o conforto visual é imediato. No entanto, quando a simplicidade do objeto fotografado é a protagonista da criação, passamos a questionar o que pode vir a impressionar. Há trabalhos nos quais a apresentação final discorre com mais contundência do que o próprio registro fotográfico. Bom, mas por que nos inquietamos com fios e mais fios que convergem no ensaio da fotógrafa chilena Sachiyo Nishimura?
Se a fotografia não é apenas o fim, mas o meio para decompor-se e criar novas paisagens, cabe à percepção deixar emaranhar-se na profusão dos “mosaicos” deste motivo fotográfico tão inanimado. Observar as soluções que determinada obra dispõe para transmitir sua póetica e fruição, é mais um esboço do exercício de compreensão diante da imagem.
O húngaro Lászlo Moholy Nagy (1895-1946) costumava fazer de sua criação um campo minado de insinuações e montagens. Percebia que a vida representada poderia fazer parábolas mais instigantes do que a provável condição de realismo. De outra maneira, mas nesse mesmo eixo de intenção, Nishimura aborda a paisagem com fotomontagens e formalmente na montagem expositiva da imagem. Com prolongamentos, junções, detalhes e ampliações quase matemáticas, o espaço reinventado surpreende pela escala e domesticação da composição. Descontrói para desconstruir ainda mais.
Para Sachiyo Nishimura, seu ensaio explicita “paisajes que, a pesar de ocupar grandes extensiones espaciales, se han vuelto casi imperceptibles en el contexto cotidiano, reconocibles pero no identificables, ocupando un lugar insignificante en la memoria. Como artista, intento reactivar la apariencia pasiva de estos paisajes por medio del fotomontaje, re-presentándolos con una identidad más retenible, más recordable”.
O requinte dessas visões passa a ser a emboscada para o tal reconhecimento da realidade do nosso entorno. Ao simular novas perspectivas espaciais, o trabalho vai além dos conceitos sobre a urbes inerentes às imagens. Inevitável não pensarmos em como os sentidos da fotografia podem burlar a própria técnica da câmera e encontrar na expansão física dessa imagem como propulsora de uma outra técnica: a da ilusão plástica. Nisso, o experimento pós tomada, é também o que torna a fotografia tão sedutora e imbricada. Que venham os fios e seus horizontes. Eles nos levam a algum lugar, de alguma maneira.
Jan Adamsky
Jan Adamsky. Jovem fotógrafo, estrangeiro em processo e firme. Jovem pelos seus 23 anos; estrangeiro porque nascido na Polônia, passou a fazer parte também da Costa Rica e firme porque já encontrou seu “propósito vital”: a fotografia. Apesar de ter encontrado sua certeza, suas fotografias são paradoxalmente indefinições. A postura de Adamsky conserva o teor documental que, no entanto, recoloca a severidade da instância do signo – ou seja, a imagem e o objeto se equivalem – na berlinda.
As cenas fotográficas de Jan Adamsky promovem uma reflexão complexa sobre o registro cotidiano e a vulnerabilidade do imaginário. O olhar organiza os distintos contextos temáticos ao transcender a materialidade dos fatos. De certa forma, parece ser uma inclinação atual na fotografia de apropriar-se e aproximar-se (quase etnograficamente) da sua história fotografada e interiorizá-la. É relativamente isso que transparece no trabalho de Admsky.
Em certa medida, vemos desfoques, velocidade baixa, artifícios visuais que ajudam a colocar pessoas em espaços flácidos em contraponto ao rigor das fotografias em preto e branco. Mesmo nessas, embora em algumas se tenha o olhar pungente do retratado para câmera, o fotógrafo segue sua indefinição. Numa hipotética câmera íntima, os fatos tomados se esvaem no imaginário de quem entra e sai da imagem com a desenvoltura de um espectro.
Esse precioso material imagético nos coloca questões vívidas a respeito da compreensão sobre o outro. Jan Adamsky considera que a intenção de sua obra é capturar a essência interior do que fotografa, além das aparências.
Pretensão? Absolutamente. Pretensão, de fato, é apreendermos as voltas que os signos fazem ao se transformarem em metafísica para o olhar.
Alexander Apóstol
Nas paredes escondemos coisas? Lhe pergunto e insisto: os lugares fazem parte de nós? Talvez, possa me acalentar se você conseguir responder. Fui a lugares que já não mais os reconheço. Uns em particular, fizeram parte de mim. E agora, sobraram espaços vazios, decadentes, vilipendiados. Pois eram meus, como ainda são em minha memória.
E exatamente na ausência da vida, nos restos deixados, nas paredes descamadas que perdi o chão. Ao redor deste lugar, ainda mais estranhamento. Os prédios são outros. Os mesmos de antes, mas absolutamente remendados, apropriados por um caos e pela urgência de acondicionamentos das pessoas.
Muita vida naquelas paredes. Mas, volto a lhe perguntar: por que tanta desolação diante do meu antigo “Le Corbusier”? E agora, o que faço com essas imagens?
Certos olhares encontram na arquitetura (em sua estética, função e laços sociais), variantes de contemplação e de razões. Muito embora, a fotografia de arquitetura seja entendida por alguns como árida, excessivamente concreta e formalística, para o campo das ideias e do conceito, tais imagens são reveladoras (como não pensar aqui nos fotógrafos alemães Bernd e Hilla Becher e em sua complexidade dos espaços num tempo pós-industrial). Nesta temática, simbioses ocorrem com desenvoltura entre plasticidade e paisagem. Entretanto, a fotografia de arquitetura não é apenas simples inventário de edificações inanimadas, imponentes ou belas. A articulação de conceitos e questionamentos sobre os espaços urbanos é que nos dão a amplitude de particularidades sociais e econômicas. Com isso, percebemos também trocas simbólicas da relação humana com os espaços.
Residente Pulido: Invasion (2009) e Le Corbusier quemado en Bogotá (2005) fazem parte das pesquisas do fotógrafo venezuelano Alexander Apóstol.
Apóstol desenvolve vários ensaios sobre os rumos da arquitetura. Esses dois ensaios exemplificam a busca por histórias e situações atuais que propõem a redefinição do urbanismo, da preservação, de políticas contundentes de ocupação para as apropriações desordenadas, que segundo Apóstol geram violência através das invasões.
Denotando fatos ocorridos – e que foram reflexos de movimentos urbanos e sociais, como é o caso do ensaio Le Corbusier… –, Apóstol intui que na essência dos restos há muito que considerar. Em Bogotá, na década de 60, movimentos estudantis queimaram com extrema violência edificações cunhadas por um dos grandes nomes da arquitetura o francês Le Corbusier. Após trinta anos, Apóstol testemunha as ruínas intocáveis deste acontecimento, o qual simbolicamente dialoga com a fragilidade de um sonho que envolve o projeto de arquitetura como função social e socialista principalmente. O trabalho de Alexander Apóstol (ver mais em seu site) também se estendeu à cidade de São Paulo, seguindo a linha de pensamento que documentar é testemunhar a vida (e como, literalmente, a vivemos) e suas fragilidades. Diante dos vários ensaios sob o referencial da arquitetura, talvez encontremos respostas – como para aquelas que iniciam esse texto.
Pedro David
O sertão enquanto temática artística-poética é contumaz em várias linguagens. Lugar de inspiração para vários e grandes fotógrafos, a magia do lugar também faz com que se desvele não um, mas vários contextos imaginados. Nesse ponto, o olhar pode nos indicar uma simbiose entre a realidade e a ficção.
Abandonar o instante e se apropriar da paisagem na tentativa de abstrair os clichês – que tal tema muitas vezes provoca –, trata-se do esforço em rever o conceito e convertê-lo em proposta de suspender o lugar. De modo que se possa conduzir os “sertões” em sua aura de símbolos e narrativas mais largas e criativas. O filósofo francês François Soulages reflete que “o artista não está aqui para dar respostas”. E nos conduz a uma das essências da imagem, quando afirma que interpretar é uma maneira de trabalhar a potencialidade de ficção.
De tal maneira, pensemos ainda em ensaios fotográficos que geram – pelo senso da pesquisa – não só as consequências da imagem em si, mas contudo suas instâncias de apreensão da subjetividade do lugar. O percurso de busca e imbricação do retórica sobre o sertão e sua dimensão da percepção metafórica entre natureza e homem pode e deve ser retrabalhado com ênfase na pesquisa, no aprofundamento da imagem não pela lente mas, muito mais, pela formulação da aproximação sensória com esse território.
No trabalho Homem Pedra, do fotógrafo mineiro Pedro David, a investigação caminha pela cartografia de um lugar repleto de cenas preexistentes em nosso imaginário seja afetivo, literário, social, cultural, estético… As imagens de Pedro David perambulam de mãos dadas com referência a obra Grandes Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. De certo, inevitável, não remetermos a ela.
Além dos retratos, a paisagem de morfologia inquietante, rechaça a precisão do estigma da pobreza, fome e miséria tão frequente à imagem do sertão. Suplanta-se tais condições para construir certa poética voltada para a relação estóica entre o homem e este lugar – duro de se manter a sobrevivência.
A luz, o rastro de poeira, a arquitetura, a vegetação e as pessoas passam a encantar pelas fotografias de Pedro David. No entanto, esse encantamento não se formula apenas pela beleza ou raridade da cena, mas também pelo mistério vindos do silêncio e do paradoxo do que podemos vir a imaginar. O devir neste ensaio pode afugentar olhares incautos, a percepção precisa se nortear através de passos falsos… Pelos quais, convenhamos, as imagens inferem mais.
Homem Pedra: espécie de ato litúrgico do estar num espaço muito mais pela imaginação do que pela certeza das pedras.
Cannon Bernáldez
Feche os olhos e tente visualizar a ideia do seu medo mais íntimo. O esforço da construção dessa imagem é também o arquivamento do inconsciente e consciente que dá significação à sensação e seu discurso de símbolos. Bem, de todos os modos ele será só seu.
A fotógrafa mexicana Cannon Bernáldez busca plasmar miedos neste ensaio. Não identidades definidas e tampouco a experiência documental. O recurso é a criação. Transbordar esquemas que insinuem algo, nem muito contundente nem muito plausível. Cannon Bernáldez fecha os olhos e imagina. A fotografia portanto segue relatando as minúcias de medos mais próximos da sensação diáfana do que do concreto.
Coelho, pernas com meias lúdicas, espaços vazios, vestidos não vestidos, sapatos sem donos. Enfim, elementos estéticos que costurados por Benáldez parecem coisas fantásticas de medos sutis, sugestivos sem serem opressivos. Bom, mas a percepção sobre medos é algo relativo.
Nem sempre os medos de alguém fazem muito sentido ou mesmo possuem intensidade que nos sufoquem.
Os signos dos imaginários acorrentam de maneira pessoal a complexidade dos medos. Por mais que relatemos, só nós o sentiremos em sua profundidade.
Miedos, de Cannon Bernáldez, traça a linha tênue do sonho e do exercício de fechar os olhos. As imagens fotográficas são concebidas pelas hipóteses da memória, do repertório cultural que cercam nossas idiossincrasias. Pela fotografia, continuamos concebendo coisas e símbolos, assim como na vida. Por esta perspectiva, o vestido e os sapatos fixaram-se em minha retina. O porquê? Talvez, algum medo pela ausência.




































































































































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