“Quería hablar de amor y desamor. Quería saber de mujeres”
Durante muitos anos a fotógrafa mexicana Maya Goded se perguntou o que é ser uma mulher e percebeu que a resposta estava longe de ser encontrada em figuras maternais ou virgens Marias. Suas imagens carregam dor, silêncio, resistência, vidas imperfeitas, a parte “errada” da feminilidade.
Aos 15 anos, Maya (hoje com 40) começou a fotografar frente a dificuldade de se expressar pelas palavras. A linguagem imagética, teoricamente mais fácil, acabou tomando o viés de um único relato, o dela mesma. A busca obcecada pelo mundo feminino nada mais é do que uma forma de exorcizar fantasmas escondidos desde a infância, segundo relatos da própria fotógrafa.
Um de seus ensaios mais conhecidos é “Sexo-sevidoras”, onde Goded retrata os dias e as noites das prostitutas do bairro La Merced, na Cidade do México. Em um processo de imersão neste lugar habitado por hotéis baratos, crianças, ladrões, traficantes e igrejas, a artista parece ter se despido dos conceitos e valores familiares para encarar de frente a desigualdade, a transgressão, o corpo, o sexo, a virgindade, a maternidade, o desejo e as carências do mundo feminino (e do seu).
Se as perguntas foram respondidas por completo ainda não se sabe, tomara que muitas imagens de Maya Goded ainda apareçam para contar mais sobre essa história. Mas, a sensação que fica é que uma agonia profunda ainda toma de assalto o universo feminino e permeia as várias questões complexas que ele carrega em seu ventre.
Catálogos do Centro de la Imagen
O Centro de la Imagen, na Cidade do México, é um espaço “físico” dedicado à formação, preservação e divulgação da fotografia. Mas, além de todo o emaranhado de atividades desenvolvidas no local, existe uma fração online da coisa que é bem interessante também.
Na sessão “Publicações”, existe uma espécie de sebo virtual onde podem ser encontrados diversos catálogos antigos e muito ricos. São edições passadas do festival Fotoseptiembre, Bienal de Fotografía do México, Bienal de Fotoperiodismo, trabalhos de fotógrafos mexicanos, entre outras edições bacanas. Todo material está a venda e pode ser solicitado também pela internet.
E, caso não esteja no seu melhor mês para adquirir um, dá pra ir se distraindo com as publicações eletrônicas que o site dispõem para download gratuito.
Laberinto de Miradas no México
A exposição Laberinto de Miradas, do curador espanhol Claudi Carreras, está em cartaz no México, de 15 de julho a 05 de setembro. O projeto se divide em três exposições diferentes que retratam a fotografia documental da América Latina, Espanha e Portugal sob três temas distintos: “Identidades y fronteras”, “Fricciones y conflictos” e “Colectivos fotográficos”. A novidade é que, desta vez, as três mostras se apresentam juntas em um mesmo espaço, o Centro Cultural de Espanha, na Cidade do México.
Durante dois anos foram 24 exposições itnerando por 18 países da Ibero América, num total de 45.497 km percorridos. São Paulo também fez parte desta rota sediando, em 2008, o Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos e atualmente, ainda em cartaz no CCSP, a mostra E-Co. Os trabalhos apresentados agora se estão juntos no livro “Laberinto de Miradas” que reúne imagens de 76 fotógrafos e 16 coletivos.
Paralelamente à exposição e ao lançamento do livro no México, será realizada uma série de mesas redondas e workshops no Centro de La Imagen.
A Cia de Foto, coletivo fotográfico brasileiro que também faz parte do projeto, participa de uma mesa redonda com os “hermanos” do No Photo (ES), Mondaphoto (MX) e ministra uma oficina de “Fotojornalismo e edição”. A programação completa pode ser conferida no próprio site da instituição.
Abaixo, um vídeo do Claudi Carreras falando um pouco sobre o Laberinto de Miradas. O material foi produzido pela própria Cia de Foto na Guatemala, durante a itnerância de uma das mostras em 2009.
claudi carreras : laberinto de miradas from ciadefoto on Vimeo.
Catalão, está à frente do projeto Laberinto de Miradas, iniciado em 2007 com o objetivo de mapear a imagem produzida pelos países ibero-americanos. O trabalho teve como uma de suas ações a articulação de encontros em São Paulo reunindo os coletivos Cia de Foto, Rolê, No Photo, Blank Paper, Pandora, Kamera Photo, Monda Photo, Organización Nelson Garrido, Supay Fotos e Cooperativa Sub. Pesquisador da Universidade de Barcelona e editor da revista Invisible Photo, foi o diretor do projeto E.CO, produzido pelo governo espanhol e que gerou o 1o Encontro de Coletivos Fotográficos da Europa e América Latina (2010).
Criado em 2003, o coletivo propõe novas leituras fotográficas por diferentes meios. Entre eles, destacam-se a curadoria da Semana Internacional de Fotografia FNAC (2008) e o conselho curatorial do Paraty em Foco (2009) e deste 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo. Também participam de exposições nas quais apresentam ensaios conceituais. Mantém suas obras representadas pela Galeria Vermelho, de São Paulo. Fazem parte do conselho editorial da revista Sueño de la Razón e atuam também no mercado editorial e de publicidade.













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