Defecto común/Identidades en disolución
A cena mexicana da década de noventa foi marcada pelo surgimento de novas tecnologias digitais. Diante deste cenário, surgiram propostas artísticas inovadoras, com discursos variados e agora reunidas, pelo curador José Antonio Rodriguez, numa mesma exposição.
“Defecto común /Identidades en disolución” apresenta os trabalhos de uma geração preocupada com a sua própria identidade, longe do público e quase confinada à sua história pessoal.
A mostra, que fica em cartaz no Museo Universitario del Chopo (MX) até 29 de agosto, inclui vídeo e instalação.
Alguns dos artistas da coletiva são: Cannon Bernáldez, Ana Casas Broda, Paola Dávila, Marianna Dellekamp, Maria Ezcurra, Federico Gama, Patricia Martín, Gerardo Montiel Klint, Pedro Olvera, Ambra Polidori, Gerardo Suter, Lourdes Villagómez, Vida Yovanovich.
Cannon Bernáldez
Feche os olhos e tente visualizar a ideia do seu medo mais íntimo. O esforço da construção dessa imagem é também o arquivamento do inconsciente e consciente que dá significação à sensação e seu discurso de símbolos. Bem, de todos os modos ele será só seu.
A fotógrafa mexicana Cannon Bernáldez busca plasmar miedos neste ensaio. Não identidades definidas e tampouco a experiência documental. O recurso é a criação. Transbordar esquemas que insinuem algo, nem muito contundente nem muito plausível. Cannon Bernáldez fecha os olhos e imagina. A fotografia portanto segue relatando as minúcias de medos mais próximos da sensação diáfana do que do concreto.
Coelho, pernas com meias lúdicas, espaços vazios, vestidos não vestidos, sapatos sem donos. Enfim, elementos estéticos que costurados por Benáldez parecem coisas fantásticas de medos sutis, sugestivos sem serem opressivos. Bom, mas a percepção sobre medos é algo relativo.
Nem sempre os medos de alguém fazem muito sentido ou mesmo possuem intensidade que nos sufoquem.
Os signos dos imaginários acorrentam de maneira pessoal a complexidade dos medos. Por mais que relatemos, só nós o sentiremos em sua profundidade.
Miedos, de Cannon Bernáldez, traça a linha tênue do sonho e do exercício de fechar os olhos. As imagens fotográficas são concebidas pelas hipóteses da memória, do repertório cultural que cercam nossas idiossincrasias. Pela fotografia, continuamos concebendo coisas e símbolos, assim como na vida. Por esta perspectiva, o vestido e os sapatos fixaram-se em minha retina. O porquê? Talvez, algum medo pela ausência.





















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