Fotos al Óleo
Mesmo que a técnica da fotopintura tente esconder, por detrás dela, o peso inevitável da morte, mesmo que a fotografia seja “disfarçada” pela técnica, ainda permanece o híbrido. O que se busca esconder continua aparente e o que é simulado nunca vai acontecer.
Florencia Blanco é fotógrafa que nasceu na França mas, desde muito tempo, vive e trabalha em Buenos Aires. Aqui, é ela quem fala sobre suas próprias “Fotos al Óleo”:
“Mis coloridas fotos me entusiasman. Haciéndolas, encontré cierta ficción en el escenario, algo relacionado en algún sentido con la fantasía que encuentro en las “fotos al óleo”. Durante el trabajo experimenté varias cosas referidas a la muerte y a los muertos, de hecho, algo sobre ese excepcional momento del paso entre La vida y la muerte sigue dando vuelta en mis lecturas, reflexiones y descubrimientos. Las fotos al óleo solían hacerse de fotografías pequeñitas de familiares muertos, entre otras cosas, para tenerlos muy presentes en el hogar; el formato resultó estupendamente porque las fotos son muy llamativas y conmovedoras; en Argentina fueron muy populares a partir de 1950.”
Construção da paisagem moderna na América Latina
A metrópole e a fotografia são dois emblemas da modernidade intimamente ligados, pois a afirmação da idéia de progresso passa inevitavelmente pelos cartões postais que representam para o mundo as paisagens transformadas. O artigo “Cidades fotografadas”, de Viviane da Silva Araujo, aborda o discurso fotográfico sobre duas cidades latinoamericanas reconstruídas na passagem para o século XX.
Seguindo o modelo adotado por Haussmann em Paris, Torcuato de Alvear , intendente de Buenos Aires, e Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro, operaram uma grande reforma nessas duas capitais. Os novos edifícios e hábitos urbanos foram sistematicamente documentados, mas os trabalhos dos fotógrafos Harry Olds e Augusto Malta destacam também a persistência do arcaico, da pobreza e da insalubridade, seja com o intuito de construir uma memória daquilo que se desejava extinguir, seja para justificar as investidas modernizadoras, por vezes agressivas. Mesmo sem assumir necessariamente um tom de denúncia, essas imagens revelam as contradições que persistem ou se agravam sob a ideologia desenvolvimentista.
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Cidades fotografadas: Rio de Janeiro e Buenos Aires sob as lentes de Augusto Malta e Harry Olds, 1900-1936
Autor: Viviane da Silva Araujo
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, Brasil, 2009.
Publicado em Nuevo Mundo, Mundos Nuevos, revista eletrônica de antropologia e história dedicada a temas Americanos.
Fragmento:
Pode-se observar que Olds, em Buenos Aires, e Malta, no Rio de Janeiro, produziram imagens que evidenciam uma idéia semelhante de cidade em transformação, com seu atraso e seu progresso. Num momento de transição, as duas capitais latino-americanas reuniam a um só tempo traços arcaicos e cosmopolitas, fazendo do cenário urbano um espaço ambivalente. Portanto, estes dois fotógrafos refletiram a ambivalência urbana em suas fotografias, construindo um imenso álbum fotográfico que compartilha com a cidade o seu caráter múltiplo, seus preconceitos, seu modo de lidar com a diferença.
“Parque de La Memoria”
Fotos: Marcelo Brodsky
A 29ª Bienal de Arte de São Paulo, que abre suas portas ao público no dia 25 de setembro, traz um trabalho muito bacana sobre o qual já falamos aqui no Fórum Virtual. Quem já leu a entrevista do argentino (quase brasileiro!) Marcelo Brodsky, conheceu um pouco do projeto “Parque de La Memória” e sabe da sua importante participação nesta “obra” construída a tantas mãos.
Na ocasião serão apresentadas várias peças: um filme documental de Eduardo Feller sobre a origem do projeto, seu desenvolvimento e sua missão em relação à memória deste passado recente, exibição da obra “El Río de la Plata” (do próprio Brodsky) em diálogo com música do brasileiro Tenorinho, visita virtual em 3D ao Parque de La Memória, exibição do curta “Reflexiones en torno al arte y la política” e um catálogo bilíngüe com ensaios sobre o projeto e outros temas relacionados.
Também acontecerão conferências onde Nora Hochbaum, Florencia Battiti, Cecília María Bouças Coimbre e Márcio Seligmann debaterão com Marcelo Brodsky, Alberto Varas e Paulo Herkenhoff os temas Parque, arte e memória. Não dá pra perder!
Argentino, tornou-se fotógrafo no exílio em Barcelona nos anos 1980, durante a ditadura militar em seu país. Foi aluno de Manel Esclusa, famoso fotógrafo de retratos catalão, no Centro Internacional de Fotografia. Paralelamente, graduou-se em economia pela Universidade de Barcelona. Sua obra traz uma constante abordagem política, expressa em exposições como Los Condenados de la Tierra, Buena Memória e Nexo. Na obra Imágenes contra la Ignorancia, fez uma intervenção pública contra o nazismo, em Hannover, na Alemanha. Foi curador da famosa mostra Estéticas de la Memoria (Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires) e um dos organizadores do 1o Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, em 2007, e do encontro Bienal de São Paulo-Valência, na Espanha.
Exposições e convocatória na Galeria Ernesto Catena
A Galeria Ernesto Catena, na Argentina, expõem o trabalho fotográfico de dois artistas interessantes, um argentino e uma venezuelana radicada em Buenos Aires.
A mostra “El día dejó de pensar”, de Ignacio Iasparra e “Música para las sombras”, de Malena Pizani ficam em cartaz até dia 25 de setembro. Na galeria, além das exposições, acontecem cursos de vídeo, técnica e poética fotográfica, iluminação, entre outros temas.
Também está aberta uma convocatória para artistas que queiram exibir seus trabalhos na galeria. Os portfólios podem ser enviados até 11 de setembro e o edital completo pode ser visto aqui.
Retrospectiva Brassaï na Argentina
Uma ótima oportunidade para conhecer ou rever boa parte da obra de Brassaï está em Buenos Aires/AR. A mostra, que fica em cartaz no MNBA – Museo Nacional de Bellas Artes até 26 de setembro, faz parte da programação de exposições do XVI Encuentros abiertos – Festival de la Luz.
Brassaï nasceu na Hungria, em 1899, e teve suas imagens internacionalmente conhecidas a partir dos anos 30, quando fotografou Paris de forma irreverente e retratou a relação próxima que mantinha com o movimento surrealista.
A mostra é composta por 126 fotografias que se dividem em cinco capítulos – Paris de noche, Paris secreto, Graffitis, Picasso Surrealismo – do vasto (e lindo!) arquivo de Brassaï.
Promoción de la salud a través del arte
É estranho ver uma revista da área médica se aproximando da fotografia. Poderíamos lembrar de algumas antigas experiências científicas duvidosas, que tomavam a fotografia como instrumento de medição e diagnóstico, com um tom evolucionista ou sanitarista. Mas vemos aqui que foi possível humanizar o pensamento da ciência, tomando a saúde num sentido amplo: “um processo coletivo e integral, influenciados por aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais”.
A pesquisa analisa os resultados de uma ação que leva a prática da fotografia a adolescentes carentes da Vila n. 15, região de Buenos Aires, conhecida também como “Ciudad Oculta”. O projeto conduzido pela Fundação PH15 já foi comentado aqui no Fórum. O artigo traz uma apresentação da história do bairro, do perfil sócio-econômico de seus moradores, e também dos métodos de trabalho da Fundação PH15. Mas é por meio de entrevistas com os participantes que demonstrará os impactos das oficinas e exposições em suas realidades.
Não é raro encontrar projetos sociais que utilizam a arte como instrumento de conscientização e transformação social. Em geral, são experiências que se formam de modo intuitivo, justificados pela necessidade de socialização do acesso à produção artística. Neste caso, encontramos uma experiência com a fotografia que se demonstrou sustentável, e um modelo de análise que permite justificar essa atuação num âmbito mais amplo, de interesse das políticas de cultura, educação e saúde.
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Promoción de la salud a través del arte: estudio de caso de un taller de fotografía en “Ciudad Oculta”, la villa Nº 15 de la Ciudad de Buenos Aires
Autor: Gabriela Wald
Doutoranda em Ciencias Sociales – Universidad de Buenos Aires, Argentina, 2009
Artigo publicado na revista “Salud Colectiva” (setembro-dezembro/2009)
Artigo em PDF: Ciudad Oculta
Fragmento:
“Con el correr del tiempo, la mayoría de los jóvenes va logrando mayores habilidades em el manejo del lenguaje fotográfico, a la vez que continúan entrenando su mirada y desarrollando la capacidad de interpelar sus propias fotos y las de sus compañeros según aquello que perciben al mirarlas. En algunos casos, los participantes logran establecer conexiones entre las impresiones que tuvieron al tomar la foto y aquello que finalmente retrataron. El trabajo de cada joven se interrelaciona, con el correr del tiempo, cada vez más con el de sus compañeros en salidas, preparación de muestras y actividades especiales. La relación entre los jóvenes y los docentes se torna más cercana y comienzan vínculos de confianza donde los jóvenes pueden hablar con ellos de sus cuestiones personales. Estos procesos van ocurriendo a modo de espiral, y a medida que pasa el tiempo los jóvenes perciben un involucramiento con un espacio que tiene reglas, valores y actividades diferentes a las que se dan en sus espacios de socialización cotidianos.”
Fotos encontradas
Pessoas mantém suas caixas de sapato durante anos e acumulam um montante incalculável de fotografias por uma infinidade de motivos. Talvez porque a fotografia funcione quase como uma extensão da memória humana que, com o tempo, vai nos dando rasteiras e deletando coisas importantes do nosso “HD”. Também por uma outra série de razões, fotografias podem ser rasgadas e jogadas no lixo, como se fosse possível assim deletar um momento ou pessoa não mais bem quista.
O projeto “Fotos Encontradas”, do argentino Pablo Cruz Aguirre, é um imenso arquivo de imagens coletadas por ele nas ruas de Buenos Aires/Argentina. Férias com a família, bailes de gala, beijos apaixonados, animais de estimação, crianças e uma infinidade de temas estão divididos em categorias dentro do site. Além da “Foto Galería” vale também uma passada pelas “Perguntas Frecuentes”, onde Aguierre fala mais sobre o projeto, e o “Libro de Visitas”, espaço de interação com o público onde é possível perceber o desenrolar de várias destas memórias abandonadas por tantos e encontradas por um.




Josef Koudelka na Argentina
Em 2007, quando ainda era work scholar na Aperture Foundation, em NY, tive a grande oportunidade de assistir à projeção de um material incrível: um dos maiores fotógrafos da nossa era, Josef Koudelka, estava nos apresentando um relato através de imagens de um dos mais dramáticos momentos da história contemporânea.
Koudelka, na época, fotógrafo de peças teatrais e ainda no começo da carreira, se transformou em fotógrafo documental. Em 21 de agosto de 1968, ele assistiu a invasão de tanques russos em Praga. Nunca tinha fotografado um fato jornalístico antes e, depois de ter registrado a “Primavera de Praga”, fugiu conseguindo levar secretamente as fotos para fora do país.
Um ano depois, chegou à Nova Iorque. A Magnum Photos distribuiu estas imagens sem revelar o nome de quem as produziu, para assim proteger Josef Koudelka das possíveis represálias. O grande impacto emotivo criado pelas imagens levou este fotógrafo anônimo a vencer o Robert Capa Award e, só muitos anos depois, sua identidade foi revelada.
O material que compõe a belíssima exposição no Espacio de Arte da Fundación OSDE, em Buenos Aires (evento que integra a programação dos VXI Encuentros Abiertos – Festival de la Luz), traz a obra do grande fotógrafo tcheco pela primeira vez à Argentina.
As imagens foram selecionadas pelo próprio Koudelka, impressas em grande formato e acompanhadas por uma grande parede coberta com os panfletos de propaganda que circulavam na época, o que leva o público à uma imersão total na atmosfera da “Primavera de Praga”. A curadoria da exposição é assinada por Melissa Harris, editora chefe da revista Aperture em colaboração com a Magnum Photos. Também acompanha a exposição o livro “Invasion 68 Prague”, publicado pela Aperture em 2008 para o 40° aniversário do evento.
Lembramos que, desde 1968, Josef Koudelka é imigrante, o que faz desta exposição o grande evento internacional dentro do tema escolhido este ano para o festival argentino.
Por Claudia Buzzetti, de Buenos Aires.
Brassaï em Buenos Aires
No XVI Encuentros Abiertos – Festival de la Luz de Buenos Aires, um dos destaques é a exposição de Brassaï no Museu Nacional de Bellas Artes. Como também, foi destaque a conferência de Agnès de Gouvion Saint-Cyr na Aliança Francesa sobre a obra do fotógrafo.
Agnès mostrou um Brassaï entusiasta e dedicado a seu fazer fotográfico e com humor, leu um texto recém encontrado de Brassaï onde ele comparava o ofício a um noviçado, pelo sofrimento do fazer no laboratório. Agnès nos apresentou Brassaï como um artista conectado com seu tempo!
O Festival reúne, no público, gente de toda América Latina e é um sucesso de convocatória.
Por Iatã Cannabrava, de Buenos Aires.
Iniciou a carreira de produtor cultural em 1989, presidindo a União dos Fotógrafos do Estado de São Paulo. Foi criador de projetos importantes como o Encontro de Coletivos Fotográficos Latino-Americanos (2008), Foto São Paulo (2001) e Povos de São Paulo – Uma Centena de Olhares sobre a Cidade Antropofágica (2004). Coordenou o I Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, promovido pelo Itaú Cultural em 2007, e está à frente do Festival Paraty em Foco desde 2006. Como fotógrafo, tem uma obra calcada na transformação das cidades através de sua arquitetura e embate social. Participou de mais de 40 exposições e tem 8 livros publicados.




























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