Garapa entrevista Brodsky

Marcelo Brodsky, argentino, tornou-se fotógrafo no exílio em Barcelona nos anos 1980, durante a ditadura militar em seu país. Foi aluno de Manel Esclusa, famoso fotógrafo de retratos catalão, no Centro Internacional de Fotografia. Paralelamente, graduou-se em economia pela Universidade de Barcelona. Sua obra traz uma constante abordagem política, expressa em exposições como Los Condenados de la Tierra, Buena Memória e Nexo. Na obra Imágenes contra la Ignorancia, fez uma intervenção pública contra o nazismo, em Hannover, na Alemanha. Foi curador da famosa mostra Estéticas de la Memoria (Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires) e um dos organizadores do 1o Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, em 2007, e do encontro Bienal de São Paulo-Valência, na Espanha.

Sobre as entrevistas:

O video acima faz parte de uma série de 20 entrevistas que está sendo produzida pelo Coletivo Garapa durante o 2º Fórum Latinoamericano de Fotografia de São Paulo. As câmeras Video DSLR, como a 5D Mark II que utilizamos, gravam no cartão um arquivo de no máximo 4 GB, interrompendo a gravação após aproximadamente 12 minutos.

Nossa proposta, portanto, é aproveitar essa limitação e realizar as entrevistas sem cortes durante o período que a gravação durar.

Veja todas as entrevistas da série no canal do Itaú Cultural no YouTube.

Fotos al Óleo

Mercedes Vicenta y Miguel Antonio/2008

Mesmo que a técnica da fotopintura tente esconder, por detrás dela, o peso inevitável da morte, mesmo que a fotografia seja “disfarçada” pela técnica, ainda permanece o híbrido. O que se busca esconder continua aparente e o que é simulado nunca vai acontecer.

Florencia Blanco é fotógrafa que nasceu na França mas, desde muito tempo, vive e trabalha em Buenos Aires. Aqui, é ela quem fala sobre suas próprias “Fotos al Óleo”:

“Mis coloridas fotos me entusiasman. Haciéndolas, encontré cierta ficción en el escenario, algo relacionado en algún sentido con la fantasía que encuentro en las “fotos al óleo”. Durante el trabajo experimenté varias cosas referidas a la muerte y a los muertos, de hecho, algo sobre ese excepcional momento del paso entre La vida y la muerte sigue dando vuelta en mis lecturas, reflexiones y descubrimientos. Las fotos al óleo solían hacerse de fotografías pequeñitas de familiares muertos, entre otras cosas, para tenerlos muy presentes en el hogar; el formato resultó estupendamente porque las fotos son muy llamativas y conmovedoras; en Argentina fueron muy populares a partir de 1950.”

Jesús, Rubén y Adrián/2008
Norma Beatriz/2008
Foto al óleo sin identificar/2008

¡AFUERA! Arte en Espacios Públicos

Foto: Instalação de Ricardo Basbaum, artista brasileiro que se apresenta na mostra 
¡AFUERA!

Foto: Imagens do edifício abandonado El Panal/Divulgação

Existem alguns projetos que realmente instigam e enchem os olhos da gente. Desde que  o Fórum Virtual nasceu, muitos deles já passaram por aqui e nos deixaram com uma imensa vontade de se tele transportar para os países onde acontecem.

Essa firula toda para apresentar mais um gigante que vem aí, o 
¡AFUERA!, em Córdoba, Argentina.

Até o dia 24 de outubro, a Mostra Internacional de Arte Contemporânea terá lugar em diferentes espaços públicos da cidade com participação de artistas nacionais e internacionais. A curadoria, que está a cargo de Gerardo Mosquera (Cuba) e Rodrigo Alonso (Argentina), estruturase em 4 seções que resumo aqui:

- Espaço Público: intervenções efêmeras nas ruas, praças e outros espaços exteriores da cidade. Para esta seção serão selecionados 8 artistas.

- El Panal: Um prédio em desuso, de alto conteúdo simbólico, será o espaço reservado para obras de caráter mais tecnológico, como também para intervenções e instalações.

- Residências: Quatro artistas serão convidados a realizar residências de um mês para articular um projeto de pesquisa e de participação com alguma comunidade, escola ou outro âmbito social de Córdoba.

- Auditório: Programa de Auditório que contará com a presença de convidados argentinos e do exterior. Além de abordar as problemáticas atuais da arte contemporânea, os convidados discutirão as novas realidades urbanas, desde o ponto de vista da sociologia, da antropologia, da arte, da literatura e da gestão cultural.

Para saber mais sobre tudo isso, vale um passeio pelo site que é bem bacana e organizado. Além do que, tem uma versão em português para os que se atrapalham no portunhol e, como eu, estão se coçando para dar um pulinho em Córdoba.

Emma Livingston no Ateliê da Imagem

Foto: Emma Livingston

Foto: Emma Livingston

O Ateliê da Imagem Espaço Cultural/RJ expõem, até 22 de outubro, Paisagens Interiores, primeira exposição no Brasil de Emma Livingston. A fotógrafa inglesa, radicada na Argentina, mostra duas séries fotográficas diferentes mas que trazem um mesmo olhar sobre a paisagem, seja ela urbana ou sobre a natureza selvagem.

A primeira série, NOA, foi realizada na região nordeste da Argentina e apresenta paisagens monocromáticas que intrigam o espectador por suas qualidades abstratas.

Tree Portraits, a segunda série, foi tomada frontalmente, sempre com a mesma luz e a mesma intenção figurativa, sob a evidente influência da Escola de Fotografia de Düsseldorf.

No fundo, são interpretações de Emma sobre a vida das plantas nas grandes cidades, sugerindo que talvez deveríamos refletir sobre a presença da natureza nas metrópoles.

Prêmio Itaú Cultural Argentina

Foto: Mariano Grebnicoff, selecionado na edição de 2009.

 

Premio Itaú Cultural de Artes Visuais é um concurso destinado a artistas jovens e emergentes da Argentina. Em sua primeira edição, que aconteceu no ano passado, a instituição recebeu mais de 1300 inscrições.

A premiação é feita em dinheiro e os valores são bem gordinhos: 20 mil pesos para o primeiro lugar, 15 mil pesos para o segundo e 10 mil pesos para o terceiro colocado. Além dos valores em dinheiro, os vencedores e selecionados farão parte de uma exposição coletiva no Itaú Cultural.

Ainda dá tempo de se inscrever e enviar trabalhos, o edital fica aberto até 15 de outubro e pode ser lido na íntegra clicando aqui. Ah! Mas vale lembrar que apenas argentinos e residentes neste país podem participar.

 

Foto: Valeria Maggi, artista selecionada no prêmio do ano passado.

4ta Bienal Argentina de Fotografía Documental

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, uma das muitas exposições na segunda Bienal.

A província de Tucumán, na Argentina, realiza sua 4ta Bienal de Fotografía Documental entre os dias 13 de outubro e 14 de novembro. Desde 2004 o evento movimenta o burburinho fotográfico com conferências, mesas de discussão, workshops, leituras de portfolio e exposições ancoradas sob o tema Bicentenario de la Revolución de Mayo, comemorado em 2010.

De acordo com a organização da Bienal, esta edição vem cheia de novos desafios uma vez que está crescendo e contando com a parceria de novas instituições como o Ministerio de Cultura de la Nación e a Casa Nacional del Bicentenario.

As mostras e seminários ganham uma proporção maior e novas atividades, como a feira de livro de autor, por exemplo, passam a integrar a programação e agregar valor ao festival. Outra novidade que vem vindo é o “1er Encuentro de cátedras universitarias de fotografía”, uma parceria entre universidades argentinas que levará uma pitada acadêmica para a Bienal.

Foto: Paco Chiquiure, imagem da exposição do coletivo Supay, em 2008.

JUNGLA

Foto: Lala Lezzi

Foto: Nicolás Trovato

“Los autores de este libro son personas extrañas. A veces los escucho hablar entre ellos, comentan cómo caía esa tarde la luz sobre el borde de una silla, cómo se oscureció un rostro en el momento en que recibió tal noticia, cuántas tonalidades de marrón tenía el gato siamés de Rilke, o cómo fue que el mar estaba verde y al rato se volvió azul.”

Este é um fragmento do texto da curadora Julieta Escardó, um dos vários que compõem o prólogo do livro JUNGLA. Partindo daí já dá pra ter uma ideia de que se trata de um livro experimental. Nele, 14 fotógrafos que trabalham no cinema utilizam a fotografia como caminho para mostrar suas percepções  e  seus arredores.

Com edição limitada de 100 exemplares, a publicação traz uma diversidade de olhares que, entre cores, formas, objetos e gestos constroem uma poética (por vezes até meio surrealista) do cotidiano destas pessoas.

Se não conseguiu comprar unzinho que seja dos 100 livros, vá lá ver a exposição de algumas imagens que fica em cartaz, até 30 de setembro, no Le Bar, em Buenos Aires.

Exposições e convocatória na Galeria Ernesto Catena

Foto: Ignacio Iasparra

Foto: Malena Pizani

A Galeria Ernesto Catena, na Argentina, expõem  o trabalho fotográfico de dois artistas interessantes, um argentino e uma venezuelana radicada em Buenos Aires.

A mostra “El día dejó de pensar”, de Ignacio Iasparra e “Música para las sombras”, de Malena Pizani ficam em cartaz até dia 25 de setembro. Na galeria, além das exposições, acontecem cursos de vídeo, técnica e poética fotográfica, iluminação, entre outros temas.

Também está aberta uma convocatória para artistas que queiram exibir seus trabalhos na galeria. Os portfólios podem ser enviados até 11 de setembro e o edital completo pode ser visto aqui.

Retrospectiva Brassaï na Argentina

Foto: Brassaï

Foto: Brassaï

Uma ótima oportunidade para conhecer ou rever boa parte da obra de Brassaï está em Buenos Aires/AR. A mostra, que fica em cartaz no MNBA – Museo Nacional de Bellas Artes até 26 de setembro, faz parte da programação de exposições do XVI Encuentros abiertos – Festival de la Luz.

Brassaï nasceu na Hungria, em 1899, e teve suas imagens internacionalmente conhecidas a partir dos anos 30, quando fotografou Paris de forma irreverente e retratou a relação próxima que mantinha com o movimento surrealista.

A mostra é composta por 126 fotografias que se dividem em cinco capítulos – Paris de noche, Paris secreto, Graffitis, Picasso Surrealismo –  do vasto (e lindo!) arquivo de Brassaï.

Promoción de la salud a través del arte

Foto: Nanci Alfonso, Projeto PH15, Ciudad Oculta

É estranho ver uma revista da área médica se aproximando da fotografia. Poderíamos lembrar de algumas antigas experiências científicas duvidosas, que tomavam a fotografia como instrumento de medição e diagnóstico, com um tom evolucionista ou sanitarista. Mas vemos aqui que foi possível humanizar o pensamento da ciência, tomando a saúde num sentido amplo: “um processo coletivo e integral, influenciados por aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais”.

A pesquisa analisa os resultados de uma ação que leva a prática da fotografia a adolescentes carentes da Vila n. 15, região de Buenos Aires, conhecida também como “Ciudad Oculta”. O projeto conduzido pela Fundação PH15 já foi comentado aqui no Fórum. O artigo traz uma apresentação da história do bairro, do perfil sócio-econômico de seus moradores, e também dos métodos de trabalho da Fundação PH15. Mas é por meio de entrevistas com os participantes que demonstrará os impactos das oficinas e exposições em suas realidades.

Não é raro encontrar projetos sociais que utilizam a arte como instrumento de conscientização e transformação social. Em geral, são experiências que se formam de modo intuitivo, justificados pela necessidade de socialização do acesso à produção artística. Neste caso, encontramos uma experiência com a fotografia que se demonstrou sustentável, e um modelo de análise que permite justificar essa atuação num âmbito mais amplo, de interesse das políticas de cultura, educação e saúde.

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Promoción de la salud a través del arte: estudio de caso de un taller de fotografía en “Ciudad Oculta”, la villa Nº 15 de la Ciudad de Buenos Aires

Autor: Gabriela Wald

Doutoranda em Ciencias Sociales – Universidad de Buenos Aires, Argentina, 2009

Artigo publicado na revista “Salud Colectiva” (setembro-dezembro/2009)

Artigo em PDF: Ciudad Oculta

Fragmento:

“Con el correr del tiempo, la mayoría de los jóvenes va logrando mayores habilidades em el manejo del lenguaje fotográfico, a la vez que continúan entrenando su mirada y desarrollando la capacidad de interpelar sus propias fotos y las de sus compañeros según aquello que perciben al mirarlas. En algunos casos, los participantes logran establecer conexiones entre las impresiones que tuvieron al tomar la foto y aquello que finalmente retrataron. El trabajo de cada joven se interrelaciona, con el correr del tiempo, cada vez más con el de sus compañeros en salidas, preparación de muestras y actividades especiales. La relación entre los jóvenes y los docentes se torna más cercana y comienzan vínculos de confianza donde los jóvenes pueden hablar con ellos de sus cuestiones personales. Estos procesos van ocurriendo a modo de espiral, y a medida que pasa el tiempo los jóvenes perciben un involucramiento con un espacio que tiene reglas, valores y actividades diferentes a las que se dan en sus espacios de socialización cotidianos.”

Foto: Natalia Godoy, Projeto PH15, Ciudad Oculta