Ainda faltava meia hora para o início da entrevista das 17h30 e a fila na porta do Itaú Cultural já fazia curva. O lounge de transmissão, montado ao lado de fora do auditório, tinha os pufs cheios de gente querendo ver Abelardo Morell. E lá estava ele, de cabelos brancos, muita simpatia e inglês pra quem quisesse ouvir. Ao lado dele, Georgia Quintas e páginas cheias de um texto lindo de apresentação, o que já era esperado vindo de quem veio!
Como uma grande linha cronológica, Morell vai apresentando sua vida pessoal e, ao mesmo tempo, seu desenvolvimento como fotógrafo. A sensação é de que o cara não poderia mesmo ter feito outra coisa na vida, a fotografia e o artista já se pertenciam desde o começo.
As imagens de seus vários trabalhos são apresentadas no telão e, pelo próprio Morell, passadas de forma bem rápida, como se o nosso tempo de entrevista não fosse suficiente para tamanha produção. É, e talvez não seja mesmo. E as pessoas não param de entrar no auditório, o mezanino já está lotado.
Desde o começo de sua fala, o fotógrafo deixa clara a proximidade entre o tema do Fórum e a sua história, o estar fora de casa. A dor, a angústia e o desconforto da migração, a fotografia quase como a salvação ou o registro desesperado deste momento. Parece que num piscar de olhos ou num passe de mágica, o exílio fez um artista cujas imagens nos transportam imediatamente ao mundo dos sonhos, do encantamento. O trabalho de Morell é um emaranhado de curvas, eixos e arestas que enchem o público presente de questões. O microfone passeia de um lado ao outro, as línguas inglesa, espanhola e portuguesa dividem o mesmo espaço, as respostas cheias de bom humor divertem a platéia, e todo mundo lamenta o fim dessa grande aula.
Se ainda não leu, dê um pulo na entrevista que Morell deu ao Fórum Virtual.
Pernambucana, é doutora em antropologia pela Universidad de Salamanca, na Espanha. Obteve seu mestrado pela Universidade Federal de Pernambuco e tem pós-graduação em história da arte pela Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. É coautora do blog Olhavê (www.olhave.com.br). Curadora do Clube de Colecionadores de Fotografia do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM, em Recife; e autora do livro Man Ray e a Imagem da Mulher (2008), Georgia também faz parte do Conselho Curatorial deste 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.
Busca sua técnica e sua sintaxe em formatos que remontam a 100 anos de tradição, como o negativo de grande formato. Opõe-se ao mainstream e à evolução tecnológica. Nascido em Cuba, imigrou com os pais para os Estados Unidos em 1962. É formado pela Bowdoin College, no Maine, nos Estados Unidos, e tem mestrado em fine arts pela Universidade Yale. Camera Obscura (2000), uma de suas séries mais importantes, é um exemplo de como conduz sua construção e da adequação de espaços simples – seu ambiente doméstico, um quarto de hotel – e cenários para a extrapolação de uma imagética contundente, graficamente elaborada, e de um poderoso conceito. Além de publicar livros e expor em instituições internacionais, é professor na Massachusetts College of Art, em Boston, nos Estados Unidos.










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