Precisava ser tão sincero que chegou a exagerar. A viagem era longa e a realidade de tão crua parecia ofuscar a visão. De tal modo, construía para si próprio, após tantas vivências e sentimentos, uma espécie de cadafalso íntimo de afeto, lembranças e justaposições de buscas.
E tudo isso é tão profundo que a fotografia passou a carregar o excesso das formas sublimes, das cores improváveis, de cenas e cenários barrocos e alegóricos. Se ponderarmos que a trajetória de um olhar é o espelhamento do imaginário, do qual faz o indivíduo possuir pertencimento e acreditar no que pode ver, é plausível encontrarmos fotografias que reflitam sobre o emaranhado de paisagens íntimas, sutilmente sacralizadas e distendidas do padrão real das cores.
O fotógrafo Ricardo Labastier exprime nesse ensaio a condução de sua percepção instigante, assim como um dos componentes mais caros ao processo criativo: a entrega. Seus ensaios, embora possuam títulos, são fragmentos de peças, de contas de um colar partido que tentamos a todo custo uni-las para enfim começarmos a compreender quem somos. Em seu discurso visual, os códigos parecem brindar com o que representam. Mas, Labastier transpõe esse significado para o patamar da memória. E segundo ele mesmo, a religião passa a ser infância.
A cada fotografia, a postura da cor não só ressalta como evoca subjetividades. Como se as coisas assim fossem. Mas, não são. Sequer intencionam serem desta maneira.
A narrativa através das cores no trabalho de Ricardo Labastier imprime ao conteúdo da imagem a intensidade da existência como quando observamos com acuidade o sentido delas. De tal maneira, essa troca entre fotógrafo e motivo fotografado elabora o grau de intimidade entre olhar e fotografar. O que permite que vislumbremos o registro documental transformando-se em poesia doce, refinda e incerta. As nuances de mistério, imaterialidade, sonho e deslocamento temporal, que suturam a fotografia de Labastier, desfiam o novelo das recordações e das metáforas que a fotografia encontra pelo mundo afora.



















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Que boa surpresa encontrar esse texto sobre o trabalho de Ricardo Labastier. Show!!!
Barroco puro, com uma grande beleza
Instigante e original.Dá para sentir a busca e no entanto percebe-se que o processo fluiu com naturalidade.
Dá prazer estético pela unicidade não-forçada.
Grande artista, grande olhar, grande alma e grande amigo!!! Bravo! Parabéns, galêgo!!!
Maravilha!!!!!
Um dos fotógrafos mais promissores – e menos badalados – da fotografia contemporânea brasileira. Parabéns, Ricardo e Geórgia!
As fotografias são belas, não há dúvida, mas não é por isso que importam tanto. Antes de tudo são incômodas e, se vale pensar o porquê, em mim evocam de imediato reflexões acerca da nossa própria representação. No ensaio, visto em conjunto, é o conjunto mesmo, a sua impossibilidade de aprisionamento em uma linha temática fixa ou claramente classificável, que desvela a ilusão tranquilizadora de unidade e origem, de um sujeito essencial e autocentrado, e escancara o jogo de significação, evidenciando nossa identidade múltipla e difusa. Nos descentramos e, de certa forma, percebemos o encaixe na teia discursiva que nos produz e nos projeta, no movimento do devir. Constitui-se, neste fragmento de obra, um sujeito também fragmentado que, apesar de ter características artísticas reconhecíveis, se interpõe entre o olhar construído pela memória e a perturbação que o “real” proporciona como experiência estética e atividade da imaginação, como projeção e desejo.
Destaca-se ainda que a cor, no trabalho do artista, não é apenas agressividade, mesmo que chegue a agredir, e também não se aproxima de uma abstração gratuita e vazia. As cores são elementos de alma – não vista como essência, como pureza, mas como um olhar sensível e honesto – que trazem o rastro da experiência e distanciam mais ainda as fotos da estagnação, do fechamento. São, ao mesmo tempo, o pulso da vivência do efêmero e a conservação temporal que possibilita a existência material. O limiar entre a pura experiência e a artificialidade. A fixação do ato fotográfico, víscera e morte, traz aqui a lembrança angustiante de que a origem de qualquer significação é o eterno deslocar-se.
Beleza e incômodo. É isso. Parabéns e obrigada, Labastier!
Esse é na alma! Show!
“Seus ensaios, embora possuam títulos, são fragmentos de peças, de contas de um colar partido que tentamos a todo custo uni-las para enfim começarmos a compreender quem somos. Em seu discurso visual, os códigos parecem brindar com o que representam. Mas, Labastier transpõe esse significado para o patamar da memória. E segundo ele mesmo, a religião passa a ser infância.”
Observações perfeitas, ainda mais pela extrema dificuldade de transpor para as palavras a força e o assombro das imagens do Ricardo. Sintonia de olhares e de sensibilidades – parabéns a ambos.
Isso Anderson, observação muito importante. abs
Instigante sim, original nem tanto. Esqueceram de mencionar um nome que aparece na mente de modo imediato ao olharmos o trabalho de Labastier: Miguel Rio Branco. Não que isto tire o mérito das imagens, afinal, se for pra obter inspiração que seja da melhor fonte.
De tirar o fôlego!
Cara vc é muito bom… PARABÉNS…
Pirei!
Fiquei absolutamente sem fôlego!
É de tirar o fôlego mesmo!
O ensaio apresentado me impressiona, são retirados da alma, do espirito do tempo que habita no limiar entre a luz e a sombra. Um trabalho promissor, forte, orgânico, realizado com a alma do olhar num tipo particular da arte. Que as sementes lançadas ao vento germine em solo firme, para que outros aprendam a fotografar com a dignidade além da máquina digital.Parabéns.
A FORÇA DE SEMPRE !
PARABÉNS !
Quero agradecer em aberto a Georgia Quintas e Alexandre Belém pelo convite,o espaço e pela atenção.Valeu!Tambem agradeço a todos que por aqui passaram para olhar o material.Obrigado!
Ricardo, parabéns pelo trabalho. Fotos lindas e instigantes. Abraço!
Amigo de outros tempos. Antes mesmo da fotografia. Conheço como “Vieira” que tocava na banda Eddie de Olinda. Sempre foi esse cara sensível, criativo e que vivia um mundo a seu modo. É muito bom ver que isso se faz presente nas fotos. A pessoa, o autor, a imagem…
Grande abraço amigo!!!!!!
Mateus Sá.
Estou começando a conhecer este forum e tenho a satisfação de
encontrar nele bons trabalhos de fotografia. É um prazer, É um estímulo à criação. O trabalho de Labastier me motiva a criar
com a cor, com o vestígio dos dias.
vixe… vinde a mim essa sensibilidade!!!
muito lindas imagens!!!realidade pura…
abs
DÉA.
Grande RICARDO BORBA , meu camarada voce sempre surpreendendo nós com suas imagens instigantes, como disse o ANDERSON ali atrás, um fotografo promissor e pouco badalado, mais esse é seu estilo mesmo ,Parabéns ..VALEU mesmo.
inspiradoras
Instigante, acima de tudo muito original…Labastier esta acima dos sonhos que nos temos em vez em quando, quando nos deparamos em nossos sonhos ou pesadelos.Ele vê em grande formato como os grandes mestres do passado nos oferecendo a sequencia naquilo que nos queremos ver no imaginario ou sei-la no invisivíl…ele já tem sua “estrada” e percorre muito bem nela…a fonte dele e um plano um plano superior.
Meu caro, atualize-nos. Apareça. Abraço. Eder
É fascinante rever o trabalho poderoso de Ricardo depois de tanto tempo, ornamentado com a fala linda de Georgia. Brilhantes.
O resultado do trabalho é muito bacana. Parabéns,amigo e não desapareça. bjs
Suas fotos falam o que as palavras não conseguem traduzir…
EMOCIONANTE !!!!!