Fotografía mexicana contemporánea

Gerardo Montiel Klint

Há algum tempo, conheci o trabalho do fotógrafo mexicano Gerardo Montiel Klint. Seu arguto senso de transpor o natural, de imaginar e realizar histórias me fez refletir sobre a fotografia mexicana.

De certo modo, é preciso que façamos o exercício da memória pelo que cada autor conduz em seus trabalhos. Quando ampliamos o repertório, essa mesma memória tende a categorizar estéticas e abordagens da produção artística de certo país. Como se tentássemos reconhecer uma força motriz que explicasse tendências documentais, experimentais, conceituais ou subjetivas na linguagem fotográfica. Grande armadilha.

O território geográfico limita uma produção espacialmente, mas não somente isso. Na fotografia, congrega discursos requintados que – mais próximos ou não da realidade – são permeados pelo seu contexto social e cultural, alinhados à criação de seus fotógrafos. Percebemos atmosferas, características temáticas, a forte presença dos nativos, da cultura autóctone, bem como da aridez, dos gestos subjetivos, dos espaços silenciosos e intrigantes. Inevitável não recordar de Manuel Álvarez Bravo, Graciela Iturbide, Juan Rulfo, Héctor García, Nacho López, Pedro Meyer…

Gerardo Montiel Klint, além do olhar inquieto, investiga sobre a produção fotográfica contemporânea no México, o que o faz ser um dos mais atentos pesquisadores sobre a fotografia em seu país. No breve texto Fotografía Mexicana Contemporánea (publicado na revista Photoicon), de forma clara, Montiel Klint vai além dos pontos históricos ao colocar as particularidades e buscas filosóficas da fotografia mexicana. O texto nos ajuda a normatizar algumas passagens importantes da história da fotografia mexicana, como os primeiros registros da alteridade sobre o exótico, através do olhar eurocêntrico dos fotógrafos estrangeiros pelo diferente e “contundente” México.

Essa interpretação sobre o outro, aliado a convenções nacionalistas e de teor folclóricas, fez com que se propagasse certa estética do mexicano. Entretanto, esclarece Montiel Klint, que o experimentalismo da geração de 1970 favoreceu a maturidade da década de 1980, permitindo que a fotografia passasse por renovação no âmbito do imaginário mexicano.

Na década seguinte (em 1990), a vanguarda conduz para narrativas mais elaboradas, de autorepresentação, de tensões com objetos inanimados. Avançam os discursos simbólicos e subjetivos, bem como, sobretudo, o imaginário. Ou como bem coloca Montiel, ao chegar na contemporaneidade, a produção imagética passa por esta reflexão: “Cuánto más simboliza una imagen, le es mayor la posibilidad a su autor ausentarse de ella, y resignificarle a la psique de la colectividad una realidad directa, inevitabe y cruda. Es en esta libre traducción que se gesta um discurso expansivo, donde el espectador no puede percibir el trasfondo de la imagem a menos que interprete lo que está mirando”.

Além de pesquisador dedicado sobre o panorama da fotografia contemporânea no México, Gerardo Montiel Klint desenvolve ensaios densos e integra essa geração que nos faz abstrair os referentes da imagem para encontrarmos respostas nos sentidos mais subjetivos da fotografia. 

Texto en español: Fotografía mexicana contemporánea

PDF da revista: Gerardo Montiel Klint-Mexico-Photoicon

José Luis Cuevas

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Yvonne Venegas

Um Comentário para “Fotografía mexicana contemporánea”

    Carlos Ebert disse:

    Non potendo essere nuovo, fuo strano…

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