Fotografia: além da arte visual

Gerardo Nigenda, Entre lo invisible y lo tangible, llegando a la homeóstasis emocional, 2007

Por depender da ação de uma máquina, a fotografia foi muitas vezes considerada uma arte fácil. A possibilidade de ser feita por um cego alimenta ainda mais esse preconceito. Se é possível produzir uma imagem sem a mediação plena e consciente do olhar, é exatamente pelas complexas determinações estão em diálogo nessa técnica: há ali o gesto e a intenção de um autor, mas também os movimentos do próprio mundo diante da câmera, e toda uma história da cultura que se materializa num programa técnico, um modo de funcionamento da câmera. É assim que, também para os enxergam, a fotografia não apenas responde às intenções do autor, mas oferece uma ampla possibilidade de descoberta.

A pesquisa de Carolina Sepúlveda discute a produção fotográfica de artistas que são também deficientes visuais.

O trabalho vasculha sentidos simbólicos atribuídos à cegueira por algumas narrativas mitológicas, bíblicas ou literárias, e apresenta esforços feitos pela ciência e pela filosofia para tentar compreender o modo de percepção que um deficiente visual tem dos objetos e do espaço. Também busca ampliar a compreensão de certas artes que, apesar de serem chamadas de visuais, quase sempre incorporam a linguagem verbal como mediadora da interpretação, e requisitam vários sentidos corporais em seus processos de criação.

Não se trata de buscar critérios próprios para julgar a fotografia feita por deficientes visuais. Mas o trabalho recorre a autores como Flusser, Barthes e Geoffrey Batchen para demonstrar a riqueza de interações que esses artistas podem ter com a técnica. Sem se deter sobre suas obras, a pesquisa nos apresenta nomes como Paco Grande, Gustavo Nigenda, Flo Fox, Toun Ishi, além de Evgen Bavcar, esloveno radiado na França, mas que tem circulado pela América Latina desde os anos 90.

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Fotógrafos ciegos: percepción en la invidencia y la desmitificación de la pureza visual (disponível em versão on-line)

Autor: Carolina Britt Backman Sepúlveda

Universidad de las Américas Puebla – Cholula, Puebla, México, 2008

Escuela de Ciencias Sociales, Artes y Humanidades – Departamento de Filosofía y Letras – Licenciatura en Humanidades

Fragmento:

“Hay que tener en cuenta el carácter multimodal del medio. El dibujo, la pintura, la fotografía, etc., se sustentan en otros sentidos tales como el tacto y el oído. Y no sólo se trata del manejo de los sentidos, sino también de las facultades cognoscitivas que permiten adentrarse aún más en la comprensión y, por tanto, manipulación del medio. En el ciego de nacimiento estos rasgos son fundamentales para comprender su interés en los supuestos medios “visuales”. Su deseo no proviene necesariamente de querer ver, sino de adentrarse en el medio que para él conlleva aspectos táctiles o cognoscitivos. Por su parte, el fotógrafo que quedó ciego, al tiempo que descubre nuevos aspectos de la fotografía, recrea para sí una sinestesia visual. El fotógrafo que quedó ciego recrea la  imagen artificialmente a partir de sus recuerdos visuales.”

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Além desta pesquisa, vale lembrar outras discussões sobre o tema realizadas recentemente no México:

Revista Luna Cornea – Ceguera (n. 17, janeiro/abril de 1999)

Colóquio La mirada invisible (17 Instituto de Estudos Críticos, julho de 2010)

Evgen Bavčar, Un sueño de movimiento

Toun Ishii FUJI SAN 1992

Flo Fox, Ensayando sus alas

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