Entrevista com Alec Soth realizada por Yasmina Reggad.
Soth estará no Fórum Latino em Entrevistas e ministrando um workshop.
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A sala de recepção da mente
Frequentemente, tenho conversas secretas com artistas. Outras vezes, monólogos.
Aqui se trata de um diálogo metafórico que acontece com o artista polifônico Alec Soth cuja obra inspirou algumas “idéias que abriram caminho, e são sugeridas à mente, por todos os meios da sensação e da reflexão” (J. Locke).
Heterônimos
Yasmina Reggad:
O espaço entre nós
Yasmina Reggad:
Flâneur
Yasmina Reggad:
Yasmina Reggad:
Geração da perda
Yasmina Reggad:
“Algumas coisas eu encontrei para ser verdadeiro. Se você deixar de fora coisas importantes ou eventos que você conhece, a história é reforçada. Se você deixar ou ignorar alguma coisa, porque você não conhece, a história vai ser inútil. O teste para qualquer história é quanto boas são as coisas que você, não seus editores, omita.” E. Hemingway in The Art Of the Short Story.
Para ver o ensaio “Ash Wednesday, New Orleans”
Yasmina Reggad:
“Se um escritor de prosa sabe o bastante sobre o assunto do qual está falando, ele pode omitir coisas que sabe e o leitor, se o escritor está escrevendo com verdade suficiente, terá uma sensação mais forte do que se o escritor declarasse tais coisas. A dignidade do movimento do iceberg é devida ao fato de apenas um oitavo de seu volume estar acima da água. Um escritor que omite coisas porque não as conhece apenas cria lugares vazios na sua escrita.” E. Hemingway in Death in the Afternoon.
Educação sentimental ou a enamorada invisível
Yasmina Reggad:
Menos de seis semanas antes de sua morte, Fernando Pessoa escreveu o seguinte poema com um dos seus heterônimos, Álvaro de Campos.
Todas as Cartas de Amor são Ridículas
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Au Revoir, Sticky
By Lester B. Morrison
The next time
my imaginary mistress
demands a love poem,
I’m going to untangle the lines from my gills and
plunge the hook into her sweet
exfoliated cheek -
A Post-It from the Son of Sam:
“I’m not a wemon hater,
but a monster..”
The next time she whispers,
Sing a love song from your cell,
I won’t wail like a lonely tranny.
I’ll kiss off to Caucasus,
drink butter and moonshine
till the kidnapped maiden cries,
“me hoot, it hurts, sonny boy.”
This is my music,
Sweet sticky,
This is the song for my no-see-ums,
The chubby behemoth is pushing off,
Mr. Bones bids farewell,
Bon nuit
and sweet dreams.
Amores perros
Yasmina Reggad:
Caça ao tesouro
Yasmina Reggad:

© Félicie Haymoz, 2010 – Commissioned by Yasmina Reggad for http://thedignityofmovemenoftheiceberg.wordpress.com
Musée imaginaire
Yasmina Reggad:
Isso é o meu sonho. Uma casa-árvore. Uma corda. Uma gruta. Eu a chamo Lost Boy Mountain. Durmo na casa-árvore. Trabalho na gruta – o meu museu subsolo. Para meus olhos apenas. Tudo esta conectado. Assim eu a imagino:
Em sua obra, percebemos ecos da de Walker Evans, Stephen Shore e Thomas Struth, como aponta o crítico Vince Aletti, da revista The New Yorker. Em entrevista a James Miller, Soth declarou que sentia que estávamos chegando ao fim de uma era “inacreditável” e que ele queria registrar esse momento. Muitos de seus trabalhos e livros surgem de ideias que não são concebidas como longos projetos, e outras derivadas de seus assignments.
Dos portraits às paisagens, a obra desse americano nascido na pequena e fria Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, navega entre diferentes linguagens que nunca se acomodam e quase nunca se repetem, fruto de um instigante desejo de migrar. Segundo suas palavras: “Se a fotografia documenta alguma coisa, é o espaço que está entre mim e meu assunto”. É associado da Magnum Photos desde 2006.




















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O Albatroz
As vezes,por prazer,os homens da equipagem
Pegam um albatroz,imensa ave dos mares,
Que acompanha,indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.
Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender,qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.
Antes tão belo,como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um,com o cachimbo,lhe enche o bico de fumaça,
Outro,a coxear,imita o enfermo outrora alado!
O poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar ;
Exilado no chão,em meio a turba obscura,
As asas de ggigante impedem-no de andar.