Alec Soth

Entrevista com Alec Soth realizada por Yasmina Reggad.

Soth estará no Fórum Latino em Entrevistas e ministrando um workshop.

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A sala de recepção da mente

Frequentemente, tenho conversas secretas com artistas. Outras vezes, monólogos.

Aqui se trata de um diálogo metafórico que acontece com o artista polifônico Alec Soth cuja obra inspirou algumas “idéias que abriram caminho, e são sugeridas à mente, por todos os meios da sensação e da reflexão” (J. Locke).

Heterônimos

Yasmina Reggad:

© Lola Reboud

Alec Soth:

© Alec Soth

O espaço entre nós

Yasmina Reggad:


Alec Soth:

© Alec Soth

Flâneur

Yasmina Reggad:

© Richard Long, cortesia da galeria Haunch of Venison

Alec Soth:

© Alec Soth

Yasmina Reggad:

© Richard Long, cortesia da galeria Haunch of Venison

Alec Soth:

© Alec Soth

Geração da perda

Yasmina Reggad:

“Algumas coisas eu encontrei para ser verdadeiro. Se você deixar de fora coisas importantes ou eventos que você conhece, a história é reforçada. Se você deixar ou ignorar alguma coisa, porque você não conhece, a história vai ser inútil. O teste para qualquer história é quanto boas são as coisas que você, não seus editores, omita.” E. Hemingway in The Art Of the Short Story.

Alec Soth:

Para ver o ensaio “Ash Wednesday, New Orleans”

Yasmina Reggad:

“Se um escritor de prosa sabe o bastante sobre o assunto do qual está falando, ele pode omitir coisas que sabe e o leitor, se o escritor está escrevendo com verdade suficiente, terá uma sensação mais forte do que se o escritor declarasse tais coisas. A dignidade do movimento do iceberg é devida ao fato de apenas um oitavo de seu volume estar acima da água. Um escritor que omite coisas porque não as conhece apenas cria lugares vazios na sua escrita.” E. Hemingway in Death in the Afternoon.

Alec Soth:


Educação sentimental ou a enamorada invisível

Yasmina Reggad:

Menos de seis semanas antes de sua morte, Fernando Pessoa escreveu o seguinte poema com um dos seus heterônimos, Álvaro de Campos.

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)

Alec Soth:

Au Revoir, Sticky

By Lester B. Morrison

The next time

my imaginary mistress

demands a love poem,

I’m going to untangle the lines from my gills and

plunge the hook into her sweet

exfoliated cheek -

A Post-It from the Son of Sam:

“I’m not a wemon hater,

but a monster..”

The next time she whispers,

Sing a love song from your cell,

I won’t wail like a lonely tranny.

I’ll kiss off to Caucasus,

drink butter and moonshine

till the kidnapped maiden cries,

“me hoot, it hurts, sonny boy.”

This is my music,

Sweet sticky,

This is the song for my no-see-ums,

The chubby behemoth is pushing off,

Mr. Bones bids farewell,

Bon nuit

and sweet dreams.

Amores perros

Yasmina Reggad:

© Leo Matiz/Alejandra Matiz, "Perro rabioso, El Nahual/México, 1943"

Alec Soth:

© Carmen Soth

Caça ao tesouro

Yasmina Reggad:

© Félicie Haymoz, 2010 – Commissioned by Yasmina Reggad for http://thedignityofmovemenoftheiceberg.wordpress.com

Alec Soth:

Musée imaginaire

Yasmina Reggad:

© Maurice Jarnoux, Paris Match/Scoop, 2008

Alec Soth:

Isso é o meu sonho. Uma casa-árvore. Uma corda. Uma gruta. Eu a chamo Lost Boy Mountain. Durmo na casa-árvore. Trabalho na gruta – o meu museu subsolo. Para meus olhos apenas. Tudo esta conectado. Assim eu a imagino:

© Alec Soth/Lester B. Morrison, 2010

Um Comentário para “Alec Soth”

    Armando Prado disse:

    O Albatroz
    As vezes,por prazer,os homens da equipagem
    Pegam um albatroz,imensa ave dos mares,
    Que acompanha,indolente parceiro de viagem,
    O navio a singrar por glaucos patamares.

    Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
    O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
    Deixa pender,qual par de remos junto aos pés,
    As asas em que fulge um branco imaculado.

    Antes tão belo,como é feio na desgraça
    Esse viajante agora flácido e acanhado!
    Um,com o cachimbo,lhe enche o bico de fumaça,
    Outro,a coxear,imita o enfermo outrora alado!

    O poeta se compara ao príncipe da altura
    Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar ;
    Exilado no chão,em meio a turba obscura,
    As asas de ggigante impedem-no de andar.

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