É como se a vida já tivesse curado todos os medos da morte. É ela quem provoca as lágrimas e não o fato de perdê-la. A visão destemida dos povos mexicanos sobre a morte (tida como origem e destino, lugar de descanso e de reencontro) vem das culturas pré-hispânicas que se desenvolveram neste território. É essa relação de burla e de respeito, de alegria, de fascinação e de intimidade que povoa e comporta a celebração do Dia de Los Muertos, o feriado mais importante deste país.
E, como não poderia deixar de ser, esta tradição é pano pra manga de diferentes artistas como Juan Rulfo, Agustín Yáñez, Carlos Fuentes, José Gorostiza, Gerardo Montiel Klint, Gabriela Ortiz e até Eisenstein que, mesmo não sendo mexicano, produziu um dos mais belos filmes sobre a vida e os costumes culturais e artísticos locais, o ¡Que Viva México!
Daniela Edburg, fotógrafa nascida no Texas e criada em San Miguel de Allende/MX, parece ter sido contaminada pela “alegria” da morte desde que trocou a América do Norte pela Central. Em seu ensaio Drop Dead Gorgeous, onde mulheres morrem pelos seus prazeres, ela brinca com o tema de forma irreverente, crítica, colorida e até engraçada.
Tudo isso muito me remete a uma das principais questões do Fórum Latino- Americano de Fotografia: até aonde carregamos nossas referências culturais quando estamos fora de casa? Até aonde contaminamos e somos contaminados pelos sons, cheiros e imagens que sentimos em outras terras? E quando o olhar estrangeiro migra para o olhar “nativo”? Quem tiver respostas, que atire a primeira tentativa!







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Manu,
Belo Post, belo texto!
Vc sabia que ela estava na exposição do Fórum de 2007?
Obrigada, Iatã!
Eu me lembro sim, estive por lá também em 2007 e foi bem bacana!