A coletânea de artigos Revoluções (São Paulo: Boitempo, 2009), organizada por Michael Löwy, parte de um vasto conjunto de fotografias para pensar a história de algumas das mais importantes as convulsões políticas do Século XX. Essa obra nos interessa por vários motivos: pelas centenas de imagens que reúne, também pelo método que permite à imagem ter seu próprio espaço numa pesquisa histórica, e pelas revoluções que aborda, dentre elas, a Guerra Civil Espanhola, a Revolução Cubana, a Revolução Zapatista no México. E Löwy encerra a edição brasileira do livro com uma questão: “Revoluções brasileiras?”, recusando as falsas revoluções, como o golpe militar, e preferindo as verdadeiras intenções revolucionárias, como Canudos.
Michael Löwy é um dos mais importantes intelectuais marxistas brasileiros da atualidade. Formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, vive em Paris desde 1969, onde hoje é diretor do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Até este livro, sua relação com a fotografia não era tão evidente.
Um ou outro pesquisador da fotografia interessado em Benjamin pode ter se deparado com um de seus livros “Walter Benjamin: aviso de incêndio” (São Paulo: Boitempo, 2005), que discute com muita clareza um dos textos mais enigmáticos do pensador alemão: suas teses “Sobre o conceito de história”.
Em Revoluções, vê-se claramente o propósito de fazer da imagem mais que uma ilustração: a narrativa verbal e a narrativa fotográfica tem, cada uma delas, seu devido espaço e seu devido papel.
“É claro que as fotografias não podem não podem substituir a historiografia, mas elas captam o que nenhum texto escrito pode transmitir: certos rostos, certos gestos, certas situações, certos movimentos. A fotografia permite que se veja, de modo concreto, o que constitui o espírito único e singular de cada revolução. Alguns críticos negam o valor cognitivo das fotografias de acontecimentos (p.13).
Löwy sabe que o material que reúne, antes de servir à pesquisa, participa da própria história. E, ainda numa perspectiva benjaminiana, convida a observar essas lutas interrompidas ou vencidas como o retrato de uma utopia que pode, também, agir sobre o nosso futuro.
“À medida que se avança no tempo, a fotografia torna-se não apenas um espelho – necessariamente deformador – dos eventos revolucionários, mas também um ator histórico, um instrumento de combate. Cada campo, nos enfrentamentos ou nas guerras civis, utiliza a fotografia como meio de propaganda, símbolo de união, sinal de reconhecimento. E, é claro, as fotografias das revoluções anteriores inspiram cada nova revolução” (p. 17-8).











RSS 2.0
Enviando ...

