XVI Encuentros Abiertos – Festival de la Luz

Foto: Leopoldo Plentz
“Identidades en tránsito” é o tema do Festival Encuentros Abiertos que acontece na Argentina em agosto deste ano. A proposta é discutir os processos de migração pela fotografia e refletir sobre a necessidade de interação, tolerância e convivência harmoniosa entre os seres humanos.
A programação, que rola durante todo o mês, prevê diversas exposições individuais e coletivas, leituras de portfólio, conferências e intervenções urbanas. As atividades do festival acontecem, em sua maioria, na capital Buenos Aires mas também se estendem à mais 20 províncias do país.
Ainda se encontram abertas as inscrições para leituras de portfólios, que acontecem entre 05 e 10 de agosto no Centro Cultural Borges de Buenos Aires. Dentre os chamados “revisores” desta edição estão importantes fotógrafos, organizadores de festivais, editores e curadores internacionais. Os três melhores portfólios eleitos pelos revisores e pela Comissão de Seleção do Festival serão premiados e receberão, entre outras coisas, um exposição individual no XVII Encuentros Abiertos.
Em 2008, um dos três trabalhos premiados foi “Inúteis”, do brasileiro Leopoldo Plentz.
Para acessar a programação completa e saber como se inscrever para leituras de portfólio, aqui.

Foto: Suk Kuhn Ho, que expõe seu trabalho no festival.
Um fotógrafo na mira do tempo
No post anterior, introduzi aquilo que foi a matriz dos debates do FestFotoPoa 2010, o tempo na fotografia.
Além de exibir trabalhos de fotógrafos que trabalham em novas fronteiras e limites, o festival buscou na reflexão – e no pensamento de autores novos e consagrados – uma outra abordagem. O tempo também foi tema proposto pelo PhotoEspaña – no ano de 2009 – para um Encontro de críticos e pensadores que aconteceu no México. A fotógrafa e pesquisadora Claudia Linhares Sanz e a jornalista e pesquisadora Sinara Sandri (também coordenadora adjunta do FestFotoPoa) tiveram trabalhos selecionados para o Encontro e participaram ativamente da edição 2010 do FestFotoPoa.
Sinara, no pensamento e formatação do festival. Claudia Linhares participando da mesa “O tempo e o espaço no território da fotografia” e, ao lado de Rubens Fernandes Júnior e Pio Figueiroa, da Cia de Foto, proporcionou uma dos melhores debates do festival.
Reproduzo neste post, o trabalho de Sinara Sandri selecionado para o Encontros de críticos do PHE, sobre o fotógrafo italiano Virgílio Calegari, radicado no Rio Grande do Sul e que deixou uma obra documental sobre a cidade de Porto Alegre na virada do Século XIX para o Século XX. Em sua pesquisa, Sinara percebeu que além da idéia consolidada por pesquisadores de que Callegari havia fotografado a transformação urbana que tornou Porto Alegre uma cidade “moderna”, no sentido mais positivista de época, o fotógrafo italiano também se preocupou “autoralmente” em mostrar que a cidade, que surgia para a modernidade (que é diferente de surgir com a modernidade), deixava marcas de uma cidade que “tinha sido” e introduzia elementos que viriam ganhar forma apenas num futuro de “modernidade inexorável”.
O trabalho de Sinara Sandri mostra que Callegari foi um autor preocupado com a memória social da cidade. Mas paro por aqui. Deixo vocês com o original, que é infinitamente melhor que o meu texto. E que afinal foi a tese de mestrado de Sinara Sandri, que além de ter recebido 10 com louvor, teve como orientadora, Sandra Pesavento, historiadora cuja atuação foi quase uma militância no campo da História e do uso da imagem na pesquisa e sua importância no imaginário de um cidade.
PDF do artigo de Sinara, selecionado para o PhotoEspaña: UM FOTÓGRAFO NA MIRA DO TEMPO
Link para a monografia completa: http://hdl.handle.net/10183/11384
Por Carlos Carvalho.
Por Sinara Sandri.
Virgílio Calegari (1868-1937) ficou conhecido como o retratista da elite urbana que se instalava em Porto Alegre, no início do século XX. Entretanto, entre o material sob guarda da Fototeca Sioma Breitman e disponível para pesquisa, as imagens de negros, pobres e trabalhadores chamam atenção por demonstrarem interesse e intimidade com temas exteriores aos salões letrados.
Nas imagens identificadas como “Mãe Rita” e “Mulher de Turbante Branco e Preto”, não há ostentação ou a imitação de padrões característicos de modelos brancos, nem a repetição do estereótipo africano, esperável nas fotografias do padrão “typo negro” ou mesmo das imagens dedicadas a retratar os costumes desta população.
Nas duas fotografias, a identidade negra das modelos é demonstrada de forma clara. Entretanto, o que chama atenção na imagem da mulher é a relação de cumplicidade, necessária para que a modelo se mostrasse de forma tão intensa frente às lentes do retratista. Em um cenário de recursos mínimos, onde não precisou disfarçar nem mascarar os traços do seu cotidiano, a mulher parece muito à vontade em um sorriso bastante familiar. Ao lançar um olhar muito íntimo, a mulher deixa entrever a pessoa que está atrás das lentes. Pode ser exagero enxergar, através deste retrato, o fotógrafo no papel de amigo, patrão ou velho conhecido. Entretanto, não seria demasiada ousadia ver aí a maestria do autor ao materializar, em imagem, a riqueza dos sentimentos humanos.
No retrato identificado como “Mãe Rita”, a mulher que seria a responsável pela introdução dos cultos africanos, em Porto Alegre, é apresentada com seus colares rituais em um olhar sério e enviesado. Não fosse por uma leve insinuação de sorriso, seria possível dizer que mostra uma quase desconfiança diante do fotógrafo. Apesar da relevância da sua tarefa, dificilmente gozaria de reconhecimento público uma vez que não fazia parte dos grupos econômica e socialmente favorecidos. Entretanto, sua importância e a função que ocupava não passaram despercebidas pelo fotógrafo.
É importante assinalar um provável interesse do autor por um personagem que representa circuitos e relações sociais que extrapolam o meio em que vivia a chamada elite dirigente da época. Longe da imagem do exótico, o retrato de Mãe Rita poderia ser tomado como exemplo da preocupação do autor com personagens, hábitos e modos de viver existentes na cidade.
Outra imagem que pode servir como exemplo deste olhar do autor é a fotografia conhecida como “Acendedores de lampião”, sem datação estimada pela instituição de guarda. São os trabalhadores responsáveis pelo acionamento dos lampiões de iluminação pública, atividade que já na virada do século XX estaria com os dias contados. Dessa forma, é possível concluir que, na iminência de uma mudança substancial na feição urbana e, em determinada medida, em uma atividade econômica da capital, o fotógrafo optou por retratar o elemento humano. Ao priorizar o trabalhador e não o sistema de iluminação, imortalizou uma profissão em vias de extinção e ofereceu a possibilidade de salvar do esquecimento algumas vítimas inevitáveis do progresso e da modernidade.
Calegari observou e fotografou sistematicamente a cidade, as obras de melhoramento e a movimentação das ruas de comércio. Este esforço resultou em uma narrativa que dá conta da constituição de uma visualidade de modernidade. Nos primeiros anos do século XX, as vistas da cidade são feitas a partir do rio e dominadas pelo elemento natural. Seu trabalho também deixa evidente o processo desigual de incorporação dos novos padrões urbanos como na imagem que evidencia a presença do casario colonial e de uma figueira – árvore típica do sul do Brasil – em Belém Velho, um dos redutos de memória da colonização açoriana da cidade.
As evidências da urbanização incipiente na jovem capital também ficam claras na tomada do casario da rua Riachuelo. A imagem tornou-se muito conhecida e demonstra a pequena dimensão do núcleo urbano em relação ao rio e as vastas áreas de montanhas desocupadas.
É apenas na década de 20 que a cidade conquista referenciais de uma visualidade moderna. Neste momento, há uma inversão nas tomadas para vistas da cidade e a opção não é mais vê-la a partir do rio e sim a partir da nova praça do poder, onde está instalado um monumento ao positivismo e seu líder, Júlio de Castilhos.
Criado em 2003, o coletivo propõe novas leituras fotográficas por diferentes meios. Entre eles, destacam-se a curadoria da Semana Internacional de Fotografia FNAC (2008) e o conselho curatorial do Paraty em Foco (2009) e deste 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo. Também participam de exposições nas quais apresentam ensaios conceituais. Mantém suas obras representadas pela Galeria Vermelho, de São Paulo. Fazem parte do conselho editorial da revista Sueño de la Razón e atuam também no mercado editorial e de publicidade.
Carioca, começou sua trajetória fotográfica em jornais como O Globo, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Também fotografou para revistas como Veja e Isto É, além das internacionais Newsweek e Time Magazine. Desde 1986 atua como documentarista, tendo especial atenção a temas como extrativismo e o movimento do trabalhador rural. Atualmente, é editor da revista eletrônica Mesa de Luz (www.mesadeluz.org) e diretor do Estúdio Brasil Imagem, em Porto Alegre, cidade onde mora. Vencedor dos prêmios brasileiros Leica-Agfa (2005) e Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos , é fundador e coordenador do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre (Festfotopoa).
Mar del Plata ¿infierno o paraíso?
Livros de fotografia provocam, digamos, o reconhecimento da construção da narrativa visual de determinada temática para quem contempla. Talvez pareça óbvio essa colocação. Contudo, a percepção se estabelece por vários ângulos da compreensão. Dentre esses ângulos, o caráter espacial nos faz discernir aspectos sensíveis que cercam a imagem fotográfica.
Mar del Plata, ¿infierno o paraíso?, do fotógrafo argentino Ataúlfo Pérez Aznar (Ediciones CMDF, 2010) faz esse exercício e nos leva a caminhar por limites de espaços. Aznar resolve mostrar o lado menos nobre da “visão do paraíso”, do sol soberbo e, claro, do senso idílico que ronda de modo contumaz os balneários. O curso da história então vai se delineando pela negativa dos paradigmas de beleza e perfeição. O ensaio em preto e branco documenta – com inclinações etnográficas – personagens, situações e a dinâmica de Mar del Plata.
Não há glamour, nem fetichizações. Há a tônica da vida prosaica com todas suas especificidades, modos e formas da sociedade retratada. Aznar discorre em texto presente no livro que o trabalho é reflexo de sua cosmo visão e de um sentimento de confraternização. Para ele, o fim deste processo criativo é “la búsqueda de nuestra identidad real, no ideal ni esquemática”. Além de reivindicar a humanidade do indivíduo, Aznar acredita que se possa compreendê-lo sem justificá-los.
Os espaços fotografados, ponderados pelo clássico enquadramento, perpassam a problemática da indefectível fragilidade da sociedade. Percebido nas diferenças e na complexidade da vida enquanto cenas isoladas, cada fotografia recompõe os espaços e a relação das pessoas à esse meio. O olhar que documenta procura, se aproxima, dá tempo a explorar a temática… A documentação deste lugar vem desde 1981. O texto de apresentação de Silvia Mangialardi coloca a “mirada” de Ataúlfo Pérez Aznar como certa união entre humor e fina ironia. Vou um pouco mais além… Acredito que a imagem indica espaços simbólicos profusos. A cada “lugar” (seja da composição ou do ambiente real) apreendido por Aznar, nossa percepção adentra nas retóricas de seu registro.
Apesar da essência documental, o olhar do espectador respira. Esse é o grande diferencial da autenticidade de trabalhos fotográficos que partem do registro que busca in loco descrições em seu tema. O livro de Aznar coincide de certo modo com a reflexão de uma das maiores autoras que temos no Brasil que é Fayga Ostrower. Ela coloca: “No ato de perceber, ele tenta interpretar e, nesse interpretar, já começa a criar. Não exsite um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação”. Aznar, com a bela edição de seu livro deixa que a simplicidade de sua criação nos encaminhe a complexidade alegórica que os espaços fotográficos possuem.
Fotoclub de Costa Rica
São 84 homens e mulheres. Alguns médicos, outros administradores de empresa, donas de casa, todo mundo com “um pé na fotografia”. Desde 1989, o Fotoclub de Costa Rica reúne pessoas que, por motivos diferentes, se reconhecem num lugar comum.
E, como é de praxe nos fotoclubs mundo afora, são realizados concursos, saídas fotográficas e exposições. Em sua 21ª edição, a mostra do Fotoclub de Costa Rica está em cartaz na Galería Nacional del Museo de los Niños, até dia 29 de julho.
São 84 obras de 29 fotógrafos locais que se destacaram entre as diversas atividades desenvolvidas durante 12 meses. Entre elas, o concurso de melhor fotografia do ano, que se divide em quatro categorias: preto e branco, cor, manipulação e livre.
Exposição Mundial del 30

Foto: Construção Estádio Centenário/CMDF
A Fotogralería a Cielo Abierto, do Centro Municipal de Fotografia – CMDF Uruguai, leva para as ruas de Montevidéo a mostra “Mundial del 30”, até 31 de julho.
A Copa do Mundo de 1930, sediada no Uruguai, foi um momento de grande euforia para os anfitriões que assistiram a cidade se transformar para receber o campeonato mundial. As fotografias, que podem ser vistas a qualquer hora do dia ou da noite no Parque Rodó, retratam inclusive a construção do estádio Centenário, ainda hoje um ícone uruguaio reconhecido internacionalmente.
As imagens da mostra se dividem em 84 grandes painéis e são, em sua maioria, feitas por fotógrafos locais entre 1916 e 1990 e pertencem ao arquivo de Séries Históricas do próprio CMDF.
Festival Internacional de Vídeo/Arte/Electrónico

Foto: extraída do curta metragem experimental de Cesar Bolaños
Desde 1998 o VAE – Festival Internacional de Video/Arte/Electrónica vem fomentando a experimentação no campo das artes eletrônicas e novos meios no Peru. O objetivo do festival é, além de incentivar a produção artística contemporânea, promover o intercâmbio entre artistas peruanos e de outras partes do mundo.
O VAE 11, que acontece em Lima, Arequipa e Cuzco até 27 de julho, promove performances, instalações, conferências, oficinas e exposições com mais de 20 artistas nacionais e internacionais. Dentre as principais atividades estão o “1er Foro de Música por Computadora (FLAMUC)”, a “IV Bienal Interamericana de Videoarte del BID”, o “Simposio VIDEO EXPANDIDO”, o “Concurso Internacional de Proyectos On-Line: Espacio Fisico + Virtualidad + Ciudad + Territorio”, entre outras.
Entre os artistas convidados estão Laura Baigorri (Espanha), Marc Battier (Francia), Angie Bonino (Perú – España), Ludger Bruemmer (Alemanha), Ricardo Dal Farra (Argentina-Canadá), Atmo (Perú), Camila Bustamante (Perú), Chris Cogburn (Estados Unidos), Mauricio Delfin (Perú) e mais…
Programação completa, aqui.
Exposição “Sobre el legado de los 80”
Está em cartaz, na Fotogaleria Roberto Guidotti, em Santa Fé/Argentina, a mostra “Sobre El legado de los 80”. Sob a curadoria de Miguel Grattier, as obras reunidas retratam o momento ímpar da fotografia argentina em que ela sofre uma mundança de direção e transforma radicalmente seu pensar e fazer fotográfico.
As obras expostas são de Cayetano Arcidiácono; Daniel Barraco; Bibi Calderaro; Bécquer Casaballe; Eduardo Comesaña; Horacio Devitt; Julio Grinblat; Mario Laus; Adriana Lestido; Eduardo Longoni; Marcos López; Alejandra Niedermaier; Ataulfo Perez Aznar; Oscar Pintor; Norberto Puzzolo; Juan Travnik, e Dani Yako.
A Fotogaleria Roberto Guidotti fica na San Lorenzo, 2925 – Santa Fe, Argentina e a exposição está em cartaz até 04 de agosto.
Premio Unión Latina-Martín Chambi
A Unión Latina, em parceria com Radio France Internationale, Instituto Cervantes, Maison de l’Amérique Latine e Instituto de México se uniram para entregar, anualmente, o Premio Unión Latina-Martín Chambi de Fotografia. Todos os membros da União Latina podem se inscrever e participar do concurso, que busca promover a criação de fotógrafos destes países.
Para participar, os interessados devem enviar uma série temática de 10 fotos em cor ou PB, texto de 30 linhas sobre o trabalho/biografia do autor, currículo e cópia de identidade até dia 30 de setembro.
A premiação prevê para o ensaio vencedor o valor de 2.000 euros, financiamento de uma exposição a se realizar em um dos Estados membro da União Latina e um espaço de divulgação do trabalho fotográfico no site da mesma instituição.
Para saber mais detalhes do edital, aqui. E boa sorte!
Conheça alguns ganhadores de 2009: Katrina Fernández Dunsterville e José Ramón Moreno Fernández.
Festival Guatephoto
O cenário dos festivais de fotografia pelo mundo vem ganhando cada vez mais peso e enriquecendo trocas e discussões a respeito do fazer/pensar fotográfico. Nós que aqui estamos e por eles esperamos, agradecemos e ficamos de olhos atentos aos bons frutos que os festivais nos rendem, mesmo que de longe!
A bola da vez é a primeira edição do Guatephoto que acontece até o dia 31 de julho no Museu de Arte Moderno Carlos Mérida, Cidade da Guatemala.
Produzida por La Fototeca e co-produzida pela Foto Visura, a iniciativa busca celebrar a fotografia contemporânea guatemalteca e promover o intercâmbio de ideias e tendências com outros países. Dentro da programação estão quatro exposições coletivas de artistas nacionais e internacionais, leituras de portfólio, workshops, palestras e conversas com importantes nomes da cena fotográfica.
Em convocatória aberta para exposição de trabalhos internacionais (que contou com a curadoria de Clara de Tezanos, Adriana Teresa e Juan José Estrada), Cláudio Meneghetti foi o único brasileiro a ter seu trabalho selecionado entre 400 portfólios enviados por artistas de 47 países.
Aqui você encontra mais detalhes sobre as exposições que acontecerão por lá.
Vida longa ao recém nascido Guatephoto!
























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