XVI Encuentros Abiertos – Festival de la Luz

Foto: Leopoldo Plentz

“Identidades en tránsito” é o tema do Festival Encuentros Abiertos que acontece na Argentina em agosto deste ano. A proposta é discutir os processos de migração pela fotografia e refletir sobre a necessidade de interação, tolerância e convivência harmoniosa entre os seres humanos.

A programação, que rola durante todo o mês, prevê diversas exposições individuais e coletivas, leituras de portfólio, conferências e intervenções urbanas. As atividades do festival acontecem, em sua maioria, na capital Buenos Aires mas também se estendem à mais 20 províncias do país.

Ainda se encontram abertas as inscrições para leituras de portfólios, que acontecem entre 05 e 10 de agosto no Centro Cultural Borges de Buenos Aires. Dentre os chamados “revisores” desta edição estão importantes fotógrafos, organizadores de festivais, editores e curadores internacionais. Os três melhores portfólios eleitos pelos revisores e pela Comissão de Seleção do Festival serão premiados e receberão, entre outras coisas, um exposição individual no XVII Encuentros Abiertos.

Em 2008, um dos três trabalhos premiados foi “Inúteis”, do brasileiro Leopoldo Plentz.

Para acessar a programação completa e saber como se inscrever para leituras de portfólio, aqui.

Foto: Suk Kuhn Ho, que expõe seu trabalho no festival.

Um fotógrafo na mira do tempo

Foto: Virgílio Calegari, "Mãe Rita"

No post anterior, introduzi aquilo que foi a matriz dos debates do FestFotoPoa 2010, o tempo na fotografia.

Além de exibir trabalhos de fotógrafos que trabalham em novas fronteiras e limites, o festival buscou na reflexão – e no pensamento de autores novos e consagrados – uma outra abordagem. O tempo também foi tema proposto pelo PhotoEspaña – no ano de 2009 – para um Encontro de críticos e pensadores que aconteceu no México. A fotógrafa e pesquisadora Claudia Linhares Sanz e a jornalista e pesquisadora Sinara Sandri (também coordenadora adjunta do FestFotoPoa) tiveram trabalhos selecionados para o Encontro e participaram ativamente da edição 2010 do FestFotoPoa.

Sinara, no pensamento e formatação do festival. Claudia Linhares participando da mesa “O tempo e o espaço no território da fotografia” e, ao lado de Rubens Fernandes Júnior e Pio Figueiroa, da Cia de Foto, proporcionou uma dos melhores debates do festival.

Reproduzo neste post, o trabalho de Sinara Sandri selecionado para o Encontros de críticos do PHE, sobre o fotógrafo italiano Virgílio Calegari, radicado no Rio Grande do Sul e que deixou uma obra documental sobre a cidade de Porto Alegre na virada do Século XIX para o Século XX. Em sua pesquisa, Sinara percebeu que além da idéia consolidada por pesquisadores de que Callegari havia fotografado a transformação urbana que tornou Porto Alegre uma cidade “moderna”, no sentido mais positivista de época, o fotógrafo italiano também se preocupou “autoralmente” em mostrar que a cidade, que surgia para a modernidade (que é diferente de surgir com a modernidade), deixava marcas de uma cidade que “tinha sido” e introduzia elementos que viriam ganhar forma apenas num futuro de “modernidade inexorável”.

O trabalho de Sinara Sandri mostra que Callegari foi um autor preocupado com a memória social da cidade. Mas paro por aqui. Deixo vocês com o original, que é infinitamente melhor que o meu texto. E que afinal foi a tese de mestrado de Sinara Sandri, que além de ter recebido 10 com louvor, teve como orientadora, Sandra Pesavento, historiadora cuja atuação foi quase uma militância no campo da História e do uso da imagem na pesquisa e sua importância no imaginário de um cidade.

PDF do artigo de Sinara, selecionado para o PhotoEspaña: UM FOTÓGRAFO NA MIRA DO TEMPO

Link para a monografia completa: http://hdl.handle.net/10183/11384

Por Carlos Carvalho.

Foto: Virgílio Calegari, “Mulher de Turbante Branco e Preto”

Por Sinara Sandri.

Virgílio Calegari (1868-1937) ficou conhecido como o retratista da elite urbana que se instalava em Porto Alegre, no início do século XX. Entretanto, entre o material sob guarda da Fototeca Sioma Breitman e disponível para pesquisa, as imagens de negros, pobres e trabalhadores chamam atenção por demonstrarem interesse e intimidade com temas exteriores aos salões letrados.

Nas imagens identificadas como “Mãe Rita” e “Mulher de Turbante Branco e Preto”, não há ostentação ou a imitação de padrões característicos de modelos brancos, nem a repetição do estereótipo africano, esperável nas fotografias do padrão “typo negro” ou mesmo das imagens dedicadas a retratar os costumes desta população.

Nas duas fotografias, a identidade negra das modelos é demonstrada de forma clara. Entretanto, o que chama atenção na imagem da mulher é a relação de cumplicidade, necessária para que a modelo se mostrasse de forma tão intensa frente às lentes do retratista. Em um cenário de recursos mínimos, onde não precisou disfarçar nem mascarar os traços do seu cotidiano, a mulher parece muito à vontade em um sorriso bastante familiar. Ao lançar um olhar muito íntimo, a mulher deixa entrever a pessoa que está atrás das lentes. Pode ser exagero enxergar, através deste retrato, o fotógrafo no papel de amigo, patrão ou velho conhecido. Entretanto, não seria demasiada ousadia ver aí a maestria do autor ao materializar, em imagem, a riqueza dos sentimentos humanos.

No retrato identificado como “Mãe Rita”, a mulher que seria a responsável pela introdução dos cultos africanos, em Porto Alegre, é apresentada com seus colares rituais em um olhar sério e enviesado. Não fosse por uma leve insinuação de sorriso, seria possível dizer que mostra uma quase desconfiança diante do fotógrafo. Apesar da relevância da sua tarefa, dificilmente gozaria de reconhecimento público uma vez que não fazia parte dos grupos econômica e socialmente favorecidos. Entretanto, sua importância e a função que ocupava não passaram despercebidas pelo fotógrafo.

É importante assinalar um provável interesse do autor por um personagem que representa circuitos e relações sociais que extrapolam o meio em que vivia a chamada elite dirigente da época. Longe da imagem do exótico, o retrato de Mãe Rita poderia ser tomado como exemplo da preocupação do autor com personagens, hábitos e modos de viver existentes na cidade.

Outra imagem que pode servir como exemplo deste olhar do autor é a fotografia conhecida como “Acendedores de lampião”, sem datação estimada pela instituição de guarda. São os trabalhadores responsáveis pelo acionamento dos lampiões de iluminação pública, atividade que já na virada do século XX estaria com os dias contados. Dessa forma, é possível concluir que, na iminência de uma mudança substancial na feição urbana e, em determinada medida, em uma atividade econômica da capital, o fotógrafo optou por retratar o elemento humano. Ao priorizar o trabalhador e não o sistema de iluminação, imortalizou uma profissão em vias de extinção e ofereceu a possibilidade de salvar do esquecimento algumas vítimas inevitáveis do progresso e da modernidade.

Foto: Virgílio Calegari, “Acendedores de lampião”

Calegari observou e fotografou sistematicamente a cidade, as obras de melhoramento e a movimentação das ruas de comércio. Este esforço resultou em uma narrativa que dá conta da constituição de uma visualidade de modernidade. Nos primeiros anos do século XX, as vistas da cidade são feitas a partir do rio e dominadas pelo elemento natural. Seu trabalho também deixa evidente o processo desigual de incorporação dos novos padrões urbanos como na imagem que evidencia a presença do casario colonial e de uma figueira – árvore típica do sul do Brasil – em Belém Velho, um dos redutos de memória da colonização açoriana da cidade.

As evidências da urbanização incipiente na jovem capital também ficam claras na tomada do casario da rua Riachuelo. A imagem tornou-se muito conhecida e demonstra a pequena dimensão do núcleo urbano em relação ao rio e as vastas áreas de montanhas desocupadas.

É apenas na década de 20 que a cidade conquista referenciais de uma visualidade moderna. Neste momento, há uma inversão nas tomadas para vistas da cidade e a opção não é mais vê-la a partir do rio e sim a partir da nova praça do poder, onde está instalado um monumento ao positivismo e seu líder, Júlio de Castilhos.

Mar del Plata ¿infierno o paraíso?

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1982

Livros de fotografia provocam, digamos, o reconhecimento da construção da narrativa visual de determinada temática para quem contempla. Talvez pareça óbvio essa colocação. Contudo, a percepção se estabelece por vários ângulos da compreensão. Dentre esses ângulos, o caráter espacial nos faz discernir aspectos sensíveis que cercam a imagem fotográfica.

Mar del Plata, ¿infierno o paraíso?, do fotógrafo argentino Ataúlfo Pérez Aznar (Ediciones CMDF, 2010) faz esse exercício e nos leva a caminhar por limites de espaços. Aznar resolve mostrar o lado menos nobre da “visão do paraíso”, do sol soberbo e, claro, do senso idílico que ronda de modo contumaz os balneários. O curso da história então vai se delineando pela negativa dos paradigmas de beleza e perfeição. O ensaio em preto e branco documenta – com inclinações etnográficas – personagens, situações e a dinâmica de Mar del Plata.

Não há glamour, nem fetichizações. Há a tônica da vida prosaica com todas suas especificidades, modos e formas da sociedade retratada. Aznar discorre em texto presente no livro que o trabalho é reflexo de sua cosmo visão e de um sentimento de confraternização. Para ele, o fim deste processo criativo é “la búsqueda de nuestra identidad real, no ideal ni esquemática”. Além de reivindicar a humanidade do indivíduo, Aznar acredita que se possa compreendê-lo sem justificá-los.

Os espaços fotografados, ponderados pelo clássico enquadramento, perpassam a problemática da indefectível fragilidade da sociedade. Percebido nas diferenças e na complexidade da vida enquanto cenas isoladas, cada fotografia recompõe os espaços e a relação das pessoas à esse meio. O olhar que documenta procura, se aproxima, dá tempo a explorar a temática… A documentação deste lugar vem desde 1981. O texto de apresentação de Silvia Mangialardi coloca a “mirada” de Ataúlfo Pérez Aznar como certa união entre humor e fina ironia. Vou um pouco mais além… Acredito que a imagem indica espaços simbólicos profusos. A cada “lugar” (seja da composição ou do ambiente real) apreendido por Aznar, nossa percepção adentra nas retóricas de seu registro.

Apesar da essência documental, o olhar do espectador respira. Esse é o grande diferencial da autenticidade de trabalhos fotográficos que partem do registro que busca in loco descrições em seu tema. O livro de Aznar coincide de certo modo com a reflexão de uma das maiores autoras que temos no Brasil que é Fayga Ostrower. Ela coloca: “No ato de perceber, ele tenta interpretar e, nesse interpretar, já começa a criar. Não exsite um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação”. Aznar, com a bela edição de seu livro deixa que a simplicidade de sua criação nos encaminhe a complexidade alegórica que os espaços fotográficos possuem.

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1984

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1985

Foto: Ataúlfo Pérez Aznar, 1990

Fotoclub de Costa Rica

Foto: Gustavo Valle Jiménez

Foto: Laura Millet

São 84 homens e mulheres.  Alguns médicos, outros administradores de empresa, donas de casa, todo mundo com “um pé na fotografia”. Desde 1989, o Fotoclub de Costa Rica reúne pessoas que, por motivos diferentes, se reconhecem num lugar comum.

E, como é de praxe nos fotoclubs mundo afora, são realizados concursos, saídas fotográficas e exposições. Em sua 21ª edição, a mostra do Fotoclub de Costa Rica está em cartaz na Galería Nacional del Museo de los Niños, até dia 29 de julho.

São 84 obras de 29 fotógrafos locais que se destacaram entre as diversas atividades desenvolvidas durante 12 meses. Entre elas, o concurso de melhor fotografia do ano, que se divide em quatro categorias: preto e branco, cor, manipulação e livre.

Exposição Mundial del 30

Foto: Construção Estádio Centenário/CMDF

A Fotogralería a Cielo Abierto, do Centro Municipal de Fotografia – CMDF Uruguai, leva para as ruas de Montevidéo a mostra “Mundial del 30”, até 31 de julho.

A Copa do Mundo de 1930, sediada no Uruguai, foi um momento de grande euforia para os anfitriões que assistiram a cidade se transformar para receber o campeonato mundial. As fotografias, que podem ser vistas a qualquer hora do dia ou da noite no Parque Rodó, retratam inclusive a construção do estádio Centenário, ainda hoje um ícone uruguaio reconhecido internacionalmente.

As imagens da mostra se dividem em 84 grandes painéis e são, em sua maioria, feitas por fotógrafos locais entre 1916 e 1990 e pertencem ao arquivo de Séries Históricas do próprio CMDF.

Festival Internacional de Vídeo/Arte/Electrónico

Foto: extraída do curta metragem experimental de Cesar Bolaños

Desde 1998 o VAE – Festival Internacional de Video/Arte/Electrónica vem fomentando a experimentação no campo das artes eletrônicas e novos meios no Peru. O objetivo do festival é, além de incentivar a produção artística contemporânea, promover o intercâmbio entre artistas peruanos e de outras partes do mundo.

O VAE 11, que acontece em Lima, Arequipa e Cuzco até 27 de julho, promove performances, instalações, conferências, oficinas e exposições com mais de 20 artistas nacionais e internacionais. Dentre as principais atividades estão o “1er Foro de Música por Computadora (FLAMUC)”, a “IV Bienal Interamericana de Videoarte del BID”, o “Simposio VIDEO EXPANDIDO”, o “Concurso Internacional de Proyectos On-Line: Espacio Fisico + Virtualidad + Ciudad + Territorio”, entre outras.

Entre os artistas convidados estão Laura Baigorri (Espanha), Marc Battier (Francia), Angie Bonino (Perú – España), Ludger Bruemmer (Alemanha), Ricardo Dal Farra (Argentina-Canadá), Atmo (Perú), Camila Bustamante (Perú), Chris Cogburn (Estados Unidos), Mauricio Delfin (Perú) e mais…

Programação completa, aqui.

Exposição “Sobre el legado de los 80”

Foto: Adriana Lestido

Foto: Juan Travnik

Está em cartaz, na Fotogaleria Roberto Guidotti, em Santa Fé/Argentina, a mostra “Sobre El legado de los 80”. Sob a curadoria de Miguel Grattier, as obras reunidas retratam o momento ímpar da fotografia argentina em que ela sofre uma mundança de direção e transforma radicalmente seu pensar e fazer fotográfico.

As obras expostas são de Cayetano Arcidiácono; Daniel Barraco; Bibi Calderaro; Bécquer Casaballe; Eduardo Comesaña; Horacio Devitt; Julio Grinblat; Mario Laus; Adriana Lestido; Eduardo Longoni; Marcos López; Alejandra Niedermaier; Ataulfo Perez Aznar; Oscar Pintor; Norberto Puzzolo; Juan Travnik, e Dani Yako.

A Fotogaleria Roberto Guidotti fica na San Lorenzo, 2925 – Santa Fe, Argentina e a exposição está em cartaz até 04 de agosto.

Juan Antonio Molina

 

Foto: Lu Franco

 

Juan Antonio Molina é um daqueles críticos que quando lemos pela primeira vez os seus textos nos perguntamos: como aquelas ideias ainda não faziam parte de nossa rotina de leituras?

Em Cuba, onde nasceu, estudou História da Arte (Universidade de Havana) e iniciou suas pesquisas em fotografia. Mora no México e é um dos curadores mais atuantes na fotografia contemporânea internacional e seu blog, Página en Blanco, é um “baú” com grandes textos sobre fotografia mexicana e ensaios teóricos, que traduzem a crítica refinada e reflexões sempre bem elaboradas.

Juan Antonio Molina traz a coesão de sua escrita para seus trabalhos curatoriais nos quais concentra-se nas tensões e problematizações da cultura visual contemporânea.

Nesta entrevista, é possível observar que crítica e curadoria são funções dentro do campo fotográfico que exige dedicação à pesquisa, à observação e à busca pelo conhecimento de poéticas e conceitos (e porque não ideologia, como ele mesmo coloca). “Me llaman la atención las contradicciones, sobre todo en la medida en que me veo reflejado en ellas” ou “las contradicciones entre el saber y el poder o entre la verdad y la mentira. Creo que sobre esas contradicciones es que se ha construido la historia de la fotografía latinoamericana como “fotografía latinoamericana”. A partir dessas ideias, se sugere o porquê de Juan Antonio Molina ser um instigante e profícuo critico contemporâneo.

Georgia QuintasCuentános sobre el inicio de su trayectória como crítico y curador.

Juan Antonio Molina – Puedo dividir el inicio de mi trayectoria en varios momentos que abarcan los últimos años que viví en Cuba.

Primero debo mencionar el período entre 1988 y 1990, cuando realicé mi primera investigación sobre fotografía cubana. Fue mientras hacía mi tesis de graduación en la Facultad de Artes y Letras de la Universidad de La Habana. La investigación tenía que ver con la relación entre fotografía y arte durante la década de 1980. Era lo que entonces llamábamos “fotografía manipulada”. Ese trabajo me permitió relacionarme con artistas como José Manuel Fors, Arturo Cuenca, Marta María Pérez o Rogelio López Marín, entre otros, que me aportaron mucho. También fue mi primer acercamiento a la historia de la fotografía. Y fue la primera experiencia de estudio de la fotografía en un contexto en que se cruzaba lo documental con lo artístico. Desde entonces estuve preparado para asumir ambas funciones de la imagen fotográfica.

Me resulta imprescindible mencionar que no hubiera sido posible esa investigación sin el aporte de Eduardo Muñoz Ordoqui, quien es uno de los fotógrafos más talentosos de mi generación, y una de las figuras que más influencia moral e intelectual ha tenido en mi vida. El fue mi condiscípulo en la universidad, y me enseñó a amar y conocer la fotografía, y fue quien me indujo a realizar ese trabajo.

Después viene la etapa en que realicé mi servicio social en la ciudad de Matanzas. Allí aprendí a trabajar con las comunidades, con la gente común, que no pertenece al mundo del arte. Aprendí a trabajar con el público real. Lo mismo dando clases que enseñando una obra de arte en una fábrica, o hablando de arte por la radio o curando una exposición para una galería de provincia. Entonces no entendía lo que estaba haciendo, porque en ese momento yo pensaba que la meta era ser un curador internacional. Ahora entiendo que en esa época aprendí a ser humilde. Ahora ya no me importa ser un curador internacional, pero eso lo aprendí trabajando con un grupo de gente simple en un oscuro pueblo de provincias.

Otro momento importante fue mi primera etapa de trabajo en la Fototeca Nacional de Cuba. Allí tuve como colegas a fotógrafos como Kattia García y Eduardo Muñoz. Juntos hicimos un trabajo de promoción de fotógrafos jóvenes, como René Peña, Manuel Piña o Juan Carlos Alom. Aprendí las primeras nociones de conservación y museografía y tuve experiencias muy interesantes como curador de fotografía. Esa etapa se complementa con el período, entre 1992 y 1995, en que trabajé como investigador y curador en el Centro Wifredo Lamm. Participar en el proyecto de la Quinta Bienal de La Habana es una de las experiencias profesionales más intensas que he tenido. El trabajo en equipo era algo muy enriquecedor, así como la sensación –un poco ilusoria, pero no por eso menos gratificante- de compartir un ideal desinteresado y generoso de amor al arte y al trabajo.

Después de eso vino mi inicio como curador independiente, en un período en que hice dos exposiciones: El voluble rostro de la realidad: Siete fotógrafos cubanos (1996) y Territorios utópicos. Arte cubano contemporáneo (1997). Ambas fueron patrocinadas por la Fundación Ludwig de Cuba. La primera sirvió para dar más visibilidad y un sentido de consistencia a la nueva generación de fotógrafos que estaba marcando el tono de la escena cubana a fines del siglo XX. La segunda, en la que trabajé con otros curadores, como Eugenio Valdés, Scott Watson y Keith Wallace, fue mi primera experiencia fuera de Cuba, y su inauguración ocurrió cuando ya me había establecido en México.

 

Foto: Eduardo Muñoz Ordoqui – Shaking with China. Serie Five and a Half Meals. Archivo digital. Austin, 2005. Cortesía del autor

 

Foto: Marta María Pérez – S/T. Serie Homenaje a Rodin. Archivo digital. México, 2009-2010. Cortesía de la autora

 

Georgia QuintasSus textos críticos acerca la fotografia traen cuestiones muy bien contextualizadas a partir de la Historia del Arte. Son análisis reflexivas que nos provocan para donde el lenguaje fotográfico está caminando. No crees que esta construcción de fundamentos que envuelven las artes visuales (y por supuesto la fotografia está ahí) enriquecen la compreensión sobre los puntos de rupturas, referencias y diálogos?

Juan Antonio Molina – Sí, estoy de acuerdo. Pero me gustaría añadir que no sólo contextualizo la fotografía en relación con las artes visuales, sino en relación con la cultura visual contemporánea. Ese punto me parece crucial para entender lo que trato de decir sobre la fotografía.

Georgia QuintasLo que le llama atención en la fotografia contemporánea en Latino América? Las fronteras son simepre muy lejas de nosotros, pero las criaciones artísticas suelen establecer mecanismos expansivos (prodríamos decir de cambios) sorprendentes. Lo que le parece?

Juan Antonio Molina – Me llaman la atención las contradicciones, sobre todo en la medida en que me veo reflejado en ellas. Las contradicciones entre las referencias locales y los sistemas transnacionales de circulación, legitimación y consumo de las representaciones, las contradicciones entre lo fotográfico y lo extrafotográfico, o entre lo artístico y lo extraartístico, las contradicciones entre lo que se es, lo que se quiere ser y lo que se aparenta, las contradicciones entre la pertenencia y el desarraigo, entre la realidad y los discursos, entre lo que se exhibe y lo que se encubre. Y también las contradicciones entre el saber y el poder o entre la verdad y la mentira. Creo que sobre esas contradicciones es que se ha construido la historia de la fotografía latinoamericana como “fotografía latinoamericana”.

Georgia QuintasMucho se discute sobre los roles de la curadoría. Cualquiera puede ser curador?

Juan Antonio Molina – No cualquiera puede ser curador. Pero tampoco sirve de mucho ser “exclusivamente” curador.

Georgia QuintasCuando Usted trabajó com la exposición Cuba Imaginada, del fotógrafo mexicano Pedro Meyer, está muy bien fundamentada las bases de su construcción acerca la estética del flâneur de Meyer por Cuba. Debo añadir sus colocaciones como “desrealización de lo real” o “uua de las consecuencias es la pulcritud de cada foto”. De ahí, se percibe su interacción de pensamiento con ese ensayo y el poder de refexión que las imágenes provocan. Nos hable sobre eso proceso.

Juan Antonio Molina – Trabajé Cuba imaginada como un ensayo. Para mí ese trabajo no se reducía a la revisión y selección de fotos. Se trataba también de replantear el modo en que yo mismo me relacionaba con las fotos, con una manera particular de publicarlas y con una manera específica de construir el lenguaje para hablar sobre las fotos. Por eso pensé todo el tiempo que no estaba curando una exposición, sino ensayando una manera abierta de articular la mirada sobre las fotos con el lenguaje, la escritura y la relectura de los textos y de otras fotos. Por eso refería el conjunto, no solamente a la realidad cubana, fotografiada por Meyer, sino también a la fotografía cubana que le fue contemporánea. Todo eso tiene que ver con el hecho de que estaba trabajando para una exposición virtual, con archivos digitales, con una idea previa de que el resultado sería interactivo. Así que pude pensarlo como un proyecto descentrado (de hecho, el título de uno de mis textos era “Notas al margen de la fotografía cubana”). O sea, todo el tiempo jugué con la idea del fragmento, de lo periférico, de lo transitorio. Y creo que, en general, todo el proyecto Herejías, del que Cuba imaginada es sólo una mínima parte, es una propuesta de descentramiento de la foto.

Creo que ese ensayó influyó mucho en mi personalidad como escritor y curador, porque empecé a entender, en carne propia, cómo los nuevos medios impactan en la experiencia misma de la escritura y de la circulación y consumo de los textos y las imágenes.

Georgia Quintas – Al arrojar luz a la crítica, se viene la pregunta, es preciso estudiar profundamente para traspasar la imagen y traer para el público un poco de la dimensión simbólica de la obra fotográfica. La curadoría es esto eslabón, no estoy cierta?

Juan Antonio Molina – Sí, la curaduría requiere de respeto por el conocimiento y de respeto por el arte y los artistas. Y respeto por la gente en general. Tiene una dosis no desdeñable de humanismo. Y obliga al estudio de muchas disciplinas asociadas a la historia del arte, como la sociología, la estética, la filosofía y otras. Pensando en ese carácter multidisciplinario es que he hablado de la curaduría como “(in)disciplina”.

 

Foto: Pedro Meyer – S/T. Negativo B/N, 35 mm. Cuba, 1979. Cortesía Fundación Pedro Meyer

 

Georgia Quintas A propósito del Foro, las fronteras nel campo fotográfico son subjetivas y abstractas? Comprendes la perspectiva cultural como discurso anclado en los temas, estilos y lenguaje?

Juan Antonio Molina – Quisiera creer que todas las fronteras son subjetivas y abstractas. Y que por eso es tan fácil cruzarlas y tan difícil dejarlas detrás.

Muchas veces reducimos la perspectiva cultural a los soportes formales y técnicos de los lenguajes, pero a mí me gusta prestar atención, no solamente a lo que soporta al lenguaje, sino también a lo que lo socava, lo reblandece y le pone trampas. Por eso me interesa el campo de lo ideológico.

Georgia Quintas Cómo se desarrolla la mirada del curador al buscar trabajos em otros territórios geográficos? Cómo huir del exotismo y reconocer en el espanto el vigor da inquietación de la criación fotográfica? Ser comisario, me parece, que es lidar con la doble mirada. O sea, administrar su visión de mundo a favor de la alteridad, no es?

Juan Antonio Molina – El curador contemporáneo tiene mucho de nómada, tiene mucho de viajero e incluso de turista. No es un sujeto sedentario, sino más bien migrante. Y esa figura es muy coherente con prácticas culturales que ya no se limitan a territorios geográficos específicos. Quiero decir que hay una ubicuidad en los lenguajes y en las experiencias del arte contemporáneo, que es equivalente a la ubicuidad física e imaginaria del curador.

Comparto el sentimiento general de rechazo por el exotismo, pero no creo que sea totalmente evitable una dosis de sorpresa ante el otro, una dosis de mitificación e incluso de incomprensión del otro. No creo que sea evitable una dosis de error. Pero coincido contigo en esa posibilidad que formulas de una manera tan bonita: la de administrar la visión propia del mundo a favor de la alteridad. Sería como aprender a ser – como diría Julia Kristeva – “extranjeros para nosotros mismos”.

Georgia Quintas Al fín y al cabo, hay un porqué para la fotografía? Me viene algo, aunque muy poético pero de extrema contundencia – cuando dije en dado texto que la “intensa relación con lo espiritual puede llegarse a niveles de perfección formal como los que alcanza Abelardo Morell”. Podemos compartir que la fotografía es un modo de sentir, por encima de todo, no?

Juan Antonio Molina – Tu pregunta me recuerda un artículo que leí hace 20 años, cuando comenzaba a estudiar la teoría y la historia de la fotografía. Se titulaba “¿Por qué y para qué se fotografía?” Creo que el autor era Canclini. Y eso me hace pensar también en Pedro Meyer postulando “fotografío para recordar”. Yo creo que sí, que la mayoría de la gente fotografía para recordar, pero que muchas veces los fotógrafos artistas y/o profesionales fotografían para manipular estéticamente (también políticamente, cuando viene al caso) los recuerdos de los demás, o la necesidad de recuerdos que tenemos los demás. Se trata de jugar con las muchas variantes de esa relación perversa que mantenemos con las figuras de la pérdida y del deseo y que, mediante la imagen fotográfica, codificamos como “memoria”. Por eso, aunque yo no diría que la fotografía es “un modo de sentir”, si me parece que recordar es un modo de sentir, y que la reelaboración estética (y en ese sentido, también ficticia) de la memoria sigue siendo crucial para la práctica fotográfica.

Foto: Cia de Foto – Políticos, 2008

 

Foto: João Castilho – Montagem da exposição "Redemunho" no Instituto Cervantes de Madri

 

 

 

Premio Unión Latina-Martín Chambi

Foto: José Ramón Moreno Fernández

Foto: Katrina Fernández Dunsterville

A Unión Latina, em parceria com Radio France Internationale, Instituto Cervantes, Maison de l’Amérique Latine e Instituto de México se uniram para entregar, anualmente, o Premio Unión Latina-Martín Chambi de Fotografia. Todos os membros da União Latina podem se inscrever e participar do concurso, que busca promover a criação de fotógrafos destes países.

Para participar, os interessados devem enviar uma série temática de 10 fotos em cor ou PB, texto de 30 linhas sobre o trabalho/biografia do autor, currículo e cópia de identidade até dia 30 de setembro.

A premiação prevê para o ensaio vencedor o valor de 2.000 euros, financiamento de uma exposição a se realizar em um dos Estados membro da União Latina e um espaço de divulgação do trabalho fotográfico no site da mesma instituição.

Para saber mais detalhes do edital, aqui. E boa sorte!

Conheça alguns ganhadores de 2009: Katrina Fernández DunstervilleJosé Ramón Moreno Fernández.

Festival Guatephoto

Foto: Cláudio Meneghetti

O cenário dos festivais de fotografia pelo mundo vem ganhando cada vez mais peso e enriquecendo trocas e discussões a respeito do fazer/pensar fotográfico. Nós que aqui estamos e por eles esperamos, agradecemos e ficamos de olhos atentos aos bons frutos que os festivais nos rendem, mesmo que de longe!

A bola da vez é a primeira edição do Guatephoto que acontece até o dia 31 de julho no Museu de Arte Moderno Carlos Mérida, Cidade da Guatemala.

Produzida por La Fototeca e co-produzida pela Foto Visura, a iniciativa busca celebrar a fotografia contemporânea guatemalteca e promover o intercâmbio de ideias e tendências com outros países. Dentro da programação estão quatro exposições coletivas de artistas nacionais e internacionais, leituras de portfólio, workshops, palestras e conversas com importantes nomes da cena fotográfica.

Em convocatória aberta para exposição de trabalhos internacionais (que contou com a curadoria de Clara de Tezanos, Adriana Teresa e Juan José Estrada), Cláudio Meneghetti foi o único brasileiro a ter seu trabalho selecionado entre 400 portfólios enviados por artistas de 47 países.

Aqui você encontra mais detalhes sobre as exposições que acontecerão por lá.

Vida longa ao recém nascido Guatephoto!