Uma das programações que mais dão trabalho e prazer no FestFoto é o Fotograma Livre, criado inicialmente com o objetivo de abrir uma janela para novos talentos da fotografia. O tempo se encarregou de escancarar essa janela e mostrar que “novos talentos” era mais um clichê, um escaninho que não faz sentido.
Na edição 2010 alguns trabalhos nos encheram de emoção e vimos com imensa alegria o “pólo nordestino” descer com toda força em Porto Alegre. Depois da hegemonia natural de produção do eixo Rio/São Paulo, as Semanas da Fotografia da Funarte mostraram a força de outras geografias, com destaque para a cidade de Belém, através do trabalho desenvolvido pela FotoAtiva através do Miguel Chikaoka, Mariano Klautau e outros e por fotógrafos que já inscreveram seus nomes na história da fotografia brasileira contemporânea, como Elza Lima, Luis Braga, Paula Sampaio e mais recentemente Guy Veloso.
Agora, com os festivais que se espalham pelo país, o nordeste começa a mostrar a força de sua produção, seja na organização de festivais e semanas da fotografia, seja através de nomes que vão aos poucos abrindo uma nova página nessa história.
AutoDesconstrução from priscilla buhr on Vimeo.
No Fotograma Livre 2010, os dois “vencedores” na categoria individual são do nordeste, mais precisamente do Recife, Priscilla Buhr e Alexandre Severo cujos trabalhos reproduzo nest post. Sobre Priscilla Buhr, deixo as palavras para sua conterrânea Georgia Quintas: “A fotografia de Priscilla Buhr é de um paradoxo insolente. Jovem fotógrafa, seu trabalho burla sua condição de iniciante. Trata-se de um olhar maduro em busca de relatar o sensível de temas da vida cotidiana. A composição de Priscila é precisa, dominada. O belo em suas imagens é espontâneo, leve e refinado. Suas imagens parecem surgir sem muita força, apesar de contundentes, nos guiam numa espécie de serenidade. Talvez seja a consciência em buscar coerência que torna seus ensaios avolumados, resistentes até mesmo a temas comuns. Volta o paradoxo: a fragilidade de um começo de carreira e a forte identidade de uma poética. “AutoDesconstrução” é um trabalho impecável. O resto está por vir”.
Sertanejos from Alexandre Severo on Vimeo.
O trabalho de Alexandre Severo é daqueles que puxa a cortina pra mostrar uma ponta do que está acontecendo. E depois escancara “tudo que é possível existir dentro de um 3×4 e você nunca teve coragem de perguntar”. A postura 3×4 dos retratados persiste nos retratos mais abertos e puxa a linha do humor, por vezes corrosivo pelo ambiente sertanejo, por vezes jocoso pelo mesmo motivo. Linda poesia metafórica.
quando afundam os líquidos caninos se pronunciam das mariposas o esqueleto. from cactosesuculentas on Vimeo.
Nos trabalhos coletivos, o vencedor foi “quando afundam os líquidos caninos se pronunciam das mariposas o esqueleto”, de Carine Wallauer e Gabriel Honzik, de Porto Alegre. Experimentalismo puro, com fotografia, vídeo e algo mais que só vamos perceber daqui a pouco.
Por Carlos Carvalho.
Pernambucana, é doutora em antropologia pela Universidad de Salamanca, na Espanha. Obteve seu mestrado pela Universidade Federal de Pernambuco e tem pós-graduação em história da arte pela Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. É coautora do blog Olhavê (www.olhave.com.br). Curadora do Clube de Colecionadores de Fotografia do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM, em Recife; e autora do livro Man Ray e a Imagem da Mulher (2008), Georgia também faz parte do Conselho Curatorial deste 2º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.
Carioca, começou sua trajetória fotográfica em jornais como O Globo, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Também fotografou para revistas como Veja e Isto É, além das internacionais Newsweek e Time Magazine. Desde 1986 atua como documentarista, tendo especial atenção a temas como extrativismo e o movimento do trabalhador rural. Atualmente, é editor da revista eletrônica Mesa de Luz (www.mesadeluz.org) e diretor do Estúdio Brasil Imagem, em Porto Alegre, cidade onde mora. Vencedor dos prêmios brasileiros Leica-Agfa (2005) e Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos , é fundador e coordenador do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre (Festfotopoa).





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Priscila e Severo, parabéns totalmente merecido! abs :p osma.
o ensaio AUTO descontrução de priscilla buhr provoca em mim a sensação e o sentimento de um parto, de uma gênese, de um princípio de todas as coisas.
evoca ainda, por um triz, um susto, uma calma e um medo ancestrais.
sua poética se mostra no gesto de revelar por partes. partes que não carregam em si a idéia de corpo, mas de mundo.
um mundo quebra-cabeças onde as peças não fazem sentido ao se juntarem umas às outras, mas buscam o sentido nelas mesmas.
e nesse mundo o que se cria é o olhar e o aprendizado de saber ver.
os sons da mata e das cordas de violão remetem a uma natureza tão virgem e bruta quanto fértil.
Carlos,
O pólo nordestino, cuja menção você faz tão bem ao citar Priscilla e Severo (dois talentos indiscutíveis), possui inventividade, história e beleza que traçam sua “vida” com muito vigor.
Muito bom acompanhar você aqui no Fórum.
Abraços.
Fico muito feliz que mais pessoas estejam descobrindo o talento de Priscila. Essa menina vai longe!
Os trabalhos são lindos! Prêmios merecidíssimos!
Acompanhar a evolução do trabalho de Priscila é como ver crescer a uma criança. Cada nova foto é uma revelaçao, no mais puro sentido, por exprimir arte e sensibilidade. Como ela é. Parabéns ao Forum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, por honrar o espaço com uma artista prestigiosa como Priscila Buhr.
Dois talentos entre tantos. Priscila revelando, a cada dia, uma sensibilidade extraordinária. Severo escancarando a “realiadade”, deslocando o olhar para outras “existencias”.
Valeu, Carlos.
Abs.
O trabalho da Priscila no porto de Recife me remeteu a um pensamento; “No trivial é onde encontramos a maior manifestação da Arte” Fico preocupado, quando que a arte vai sair somente dos olhos dos artistas (Priscila) e ser encontrada nos olhares comuns?
Alexandre Severo, outro artista de chão, buscador de coisas da sua terra. Ele é como um agricultor que planta a terra, ele pranta em nossos olhos um colírio. É antiga a frase: É um colírio para os olhos.
Parabenizar ainda é pouco, quero deixar aqui o meu abraço de felicidade a Pri e Severo por estarem abrindo cada vez mais as portas para a fotografia Pernambucana!
Vamos que Vamos
Abs