Feche os olhos e tente visualizar a ideia do seu medo mais íntimo. O esforço da construção dessa imagem é também o arquivamento do inconsciente e consciente que dá significação à sensação e seu discurso de símbolos. Bem, de todos os modos ele será só seu.
A fotógrafa mexicana Cannon Bernáldez busca plasmar miedos neste ensaio. Não identidades definidas e tampouco a experiência documental. O recurso é a criação. Transbordar esquemas que insinuem algo, nem muito contundente nem muito plausível. Cannon Bernáldez fecha os olhos e imagina. A fotografia portanto segue relatando as minúcias de medos mais próximos da sensação diáfana do que do concreto.
Coelho, pernas com meias lúdicas, espaços vazios, vestidos não vestidos, sapatos sem donos. Enfim, elementos estéticos que costurados por Benáldez parecem coisas fantásticas de medos sutis, sugestivos sem serem opressivos. Bom, mas a percepção sobre medos é algo relativo.
Nem sempre os medos de alguém fazem muito sentido ou mesmo possuem intensidade que nos sufoquem.
Os signos dos imaginários acorrentam de maneira pessoal a complexidade dos medos. Por mais que relatemos, só nós o sentiremos em sua profundidade.
Miedos, de Cannon Bernáldez, traça a linha tênue do sonho e do exercício de fechar os olhos. As imagens fotográficas são concebidas pelas hipóteses da memória, do repertório cultural que cercam nossas idiossincrasias. Pela fotografia, continuamos concebendo coisas e símbolos, assim como na vida. Por esta perspectiva, o vestido e os sapatos fixaram-se em minha retina. O porquê? Talvez, algum medo pela ausência.



















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Belismo , parabens
Felicitaciones Canon, esta cada dia mas completo. Cuantas fotos ya tienes en la serie?
wow.. i’m very
enjoy reading your post. great.
MEDO
Medo de ver a polícia estacionar a minha porta.
Medo de dormir a noite.
Medo de não dormir.
Medo de que o passado desperte.
Medo de que o presente alce voo.
Medo do telefone que toca no silencio da noite.
Medo de tempestades elétricas.
Medo da faxineira que tem uma pinta no queixo.
Medo de cães que supostamente não mordem.
Medo da ansiedade.
Medo de ter que identificar o corpo de um amigo morto.
Medo de ficar sem dinheiro.
Medo de ter demais,mesmo que ninguém vá acreditar nisso.
Medo de perfis psicológicos.
Medo de me atrasar e medo de ser o primeiro a chegar.
Medo de ver a letra dos meus filhos em envelopes.
Medo de que eles morram antes de mim , e que me sinta culpado.
Medo de ter que morar com minha mãe em sua velhice,e na minha.
Medo da confusão.
Medo de que este dia termine com uma nota infeliz.
Medo de acordar e ver que vc partiu.
Medo de não amar e medo de não amar o bastante.
Medo de que amo se prove letal para aqueles que amo.
Medo da morte.
Medo de viver demais.
Medo da morte.
Já disse isso.
Raymond Carver.
Maravilhosamente perturbador…