ENTREVISTA

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Intervenção dos coletivos Lima Foto Libre e Selva SP

São Paulo, 27 de outubro de 2013. Oficialmente as mesas, entrevistas, debates e workshops  do Fórum Latino Americano terminaram há uma semana. Entretanto, a produção fotográfica, assim como sua exposição, continua rolando até dezembro dentro do prédio do Itaú Cultural e a todo momento São Paulo afora.

Coladas em tapumes de uma construção localizada ao lado do prédio do instituto, aproximadamente 50 fotos integram a exposição/ intervenção dos coletivos fotográficos Selva SP e Lima Foto Libre. Realizada de maneira independente do Fórum pelos dois grupos, a intervenção aconteceu na madrugada do dia 19 e a ação durou pouco mais de 20 minutos. Sem curador específico ou tema fechado, as imagens impressas em formato A4 foram escolhidas e coladas naquele local por uma série de acontecimentos casuais e favoráveis. “Conhecemos o pessoal do Lima Foto Libre dias antes do Fórum e durante o evento tivemos a ideia de fazer uma intervenção juntos. Inicialmente íamos colocar as fotos nas portas do banheiro do Itaú, mas como vimos que os tapumes do Sesc (ao lado do Instituto) estavam livres, o que é raro, decidimos colocar ali”, destaca Drago, um dos integrantes do Selva SP.

Com a proposta de fotografar “a rua e expor na rua”, sem restringir o acesso, os coletivos objetivam abrir o diálogo entre as pessoas sobre as imagens produzidas, mas ao mesmo tempo não se opõem à existência de espaços fechados para a exposição das fotos, visto que um dos coletivos, o Lima Foto Libre, integra a exposição oficial do Fórum. “Não existe um único modelo certo de expor fotos, não é uma questão de estar certo ou errado em expor em lugares fechados como o Itaú, o que propomos e sentimos falta é de abrir o diálogo, ver mais foto na rua, o que é algo comum lá fora e aqui a gente não está muito acostumado”, continua Drago.

E nesta ampliação do diálogo, as fotos são vistas e analisadas pelos que passam por elas. Com uma vassoura em uma das mãos, o ajudante geral, Maranhão, trabalha na construção onde estão os tapumes com as fotografias dos coletivos. Responsável por deixar toda a área externa da obra limpa, livre de qualquer resquício da reforma para que as pessoas possam “andar livremente pela calçada”, o homem de pouco mais de 50 anos de idade, observa de longe as imagens coladas nos tapumes. “Pra mim, isso aí é um protesto, não vi tudo, mas não parece que tão mostrando coisa muito boa, não, tem muita confusão ali”, diz e emenda em seguida, “no começo não tinha entendido por que colocaram esses Selva SP (adesivos entre as imagens), mas agora tá aparecendo que é por causa da gente mesmo, tá todo mundo cada dia mais selvagem nesta terra aqui”, conclui para logo voltar a varrer o chão.

E assim, livre para as interpretações, sem escolher um público ou estipular um tempo para a duração da exposição das imagens, a intervenção Foto Livre SP acontece nos tapumes da rua Leoncio de Carvalho, esquina com a  Avenida Paulista.