Desta vez a língua falada não é o “portunhol selvagem”, é o inglês mesmo.
No segundo andar da Casa das Rosas está o americano Alec Soth, seu computador, e uma mesa cheia de livros de diversos autores, inclusive dele, é claro! Ao seu redor, de ouvidos em pé, estão fotógrafos já “gente grande”, conhecidos do público e com trabalhos já bem sólidos. O que todo mundo veio aprender, afinal, foi dar vazão aos seus projetos, transformá-los em livros.
E parece que disso o cara entende bem. Várias referências como Paul Graham, Nan Goldin e Raymond Meeks, passam pelo telão. Os livros na mesa rodam de lá pra cá, as perguntas começam a sair e pequenos focos de discussão sobre o tema aparecem. A língua estrangeira não parece ser problema, duas tradutoras de plantão tratam de repassar tudo aos que não acompanham o inglês.
Soth também colabora à sua maneira: com gráficos cheios de bolinhas, linhas, cores e poucas palavras, o gringo se faz entender quase que como uma fotografia.
Leia aqui entrevista de Soth para o Fórum Virtual.
Em sua obra, percebemos ecos da de Walker Evans, Stephen Shore e Thomas Struth, como aponta o crítico Vince Aletti, da revista The New Yorker. Em entrevista a James Miller, Soth declarou que sentia que estávamos chegando ao fim de uma era “inacreditável” e que ele queria registrar esse momento. Muitos de seus trabalhos e livros surgem de ideias que não são concebidas como longos projetos, e outras derivadas de seus assignments.
Dos portraits às paisagens, a obra desse americano nascido na pequena e fria Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, navega entre diferentes linguagens que nunca se acomodam e quase nunca se repetem, fruto de um instigante desejo de migrar. Segundo suas palavras: “Se a fotografia documenta alguma coisa, é o espaço que está entre mim e meu assunto”. É associado da Magnum Photos desde 2006.











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